Calmaria II

Um imenso pomar: Distribuição de árvores e geoglifos ressaltam o impacto de populações humanas pré-colombianas na floresta amazônica

Foi este texto, publicado pela Revista Pesquisa Fapesp (edição 253, 2017), que já naquela época chamou minha atenção.. nele, é argumentado que antes da chegada dos europeus, a Amazônia era habitada por uns 8 a 10 milhões de índios, sendo provavelmente nômades.

Nessa perspectiva, a floresta era manejada pelos grupos nativos, que sabiam muito bem usar a floresta em benefício próprio, selecionando e cultivando plantas a ponto de alterar suas propriedades, além de fazerem reservatórios de água que possibilitavam agricultura longe dos rios da região.

Claro que essa noção proposta pelo artigo não é unânime, está em estudo, mas existem indícios de que a antiga civilização da Amazônia era dotada de conhecimentos científicos avançados 🧮

E como sabem tudo isso??

Perto dos sítios arqueológicos foi detectada uma maior concentração e diversidade de árvores usadas pelos indígenas da época, que também escavavam valas circulares ou quadradas visíveis a quilometros de altitude; e foi a partir desses desenhos no chão, chamados de geoglifos, que os pesquisadores conseguiram chegar nessas evidências.

Geoglifo descoberto em área desmatada de Tequinho, no Acre — Foto: Martti Pärssinen, disponível em Instituto Geoglifos da Amazônia

Geoglifo descoberto em área desmatada de Tequinho, no Acre — Foto: Martti Pärssinen, disponível em Instituto Geoglifos da Amazônia

A tecnologia que permite esse tipo de varredura do solo é o Sensoriamento Remoto, ou seja, de forma remota, à distância, é possível fazer a varredura a partir de um sensor, por isso sensoriamento – impressionante, né??

Especificamente nesse caso, a tecnologia usada é o LiDAR, Light Detection And Ranging, que é um sensor remoto ativo, a bordo de plataformas tripuladas ou não, que emite pulsos de laser sobre a superfície observada para capturar dados do terreno, ainda que existam árvores plantadas sobre o local observado.

(a parte controversa é que essa descoberta só foi possível por causa do desmatamento da Amazônia 😅 os satélites de observação da Terra não conseguem enxergar abaixo das árvores como o LiDAR faz)

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Por que um imenso pomar??

“Quem já frequentou um pomar e aprendeu quais árvores rendem os melhores frutos consegue imaginar essa seleção como o primeiro passo da domesticação. Aos poucos, começa a haver um manejo diferenciado dessas plantas. O passo seguinte é cultivá-las fora do espaço da floresta, como quintais e roças. Com o tempo, a morfologia e a genética do fruto vão sendo alteradas, criando populações e indivíduos com características muito diferentes do original”

Como eu disse anteriormente, essa perspectiva não é unânime. “Uma das dificuldades é saber se a distribuição das árvores foi realmente alterada por gerações e gerações de índios, ou se os povos se estabeleceram onde havia recursos valiosos”.

Uma das pesquisadoras envolvidas aposta na primeira alternativa, a de que a distribuição das árvores foi realmente alterada por gerações e gerações de índios, visto que encontraram árvores com diferentes preferências ecológicas vivendo nas mesmas parcelas de solos estudados, algo improvável de acontecer naturalmente.

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Mas, o texto Calmaria II é uma continuação da reflexão sobre a História da Ciência no Brasil a partir de uma abordagem latino americana! Assim, devo questionar:

Será que aquelas populações já produziam conhecimento❓

Além da questão botânica e agrológica, também precisamos olhar com calma para os geoglifos que, como dito acima, são desenhos no solo com trincheiras de até 11 metros (m) de largura e 4 m de profundidade, formando figuras geométricas com até 300 m de diâmetro, o que é muito difícil de desenhar.

Não existem indícios de grandes povoados por perto dos geoglifos, o que indica que grupos distintos podem ter feito uso dos mesmos durante longos períodos de tempo, até 3 mil anos, como ponto de encontro.

Em escavações arqueológicas também foram encontradas cerâmicas que foram datadas e, segundo a datação, esses povos habitaram a amazônia por mais de 1000 anos; na época de Cristo eles já estavam lá, sendo que pararam de construir geoglifos apenas em 1300 e acabaram saindo de lá.

Hoje em dia a hipótese mais aceita em relação aos geoglifos é a de que foram feitos para fins cerimoniais, levantando a questão de que a amazônia não é o que acreditávamos que sempre foi! Podendo ter abrigado uma das civilizações mais avançadas da antiguidade, considerando o conhecimento tecnológico e geométrico que possuiam para erguer essas grandes obras de terraplanagem 🫢

Mais uma referência: Uma civilização esquecida da Amazônia | INEXPLICÁVEL COM DANTON MELLO | HISTORY

Teremos em breve o texto Calmaria III 😍 eu simplesmente não consigo terminar essa reflexão!! 🤣

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Se você encontrou algum erro, me deixe saber! Até breve! E me ajude a divulgar o blog 🥰

Análises Agroambientais

Nessa disciplina entendi melhor o que é Agricultura Familiar. Pode ser compreendida como uma instituição social que visa manter a reprodução da família, mas também é um termo genérico que incorpora múltiplas situações particulares, mantendo uma ordem tradicional que lhe define frente aos padrões globais de produção e consumo (Silva et al., 2021; IBGE, 2020).

Esses agricultores, familiares, são marcados por um patrimônio de saberes e práticas tradicionais que, em certa medida, se ajustam à modernidade; entretanto, não rejeitam suas raízes camponesas (Silva et al., 2021). “Esse tipo de agricultura reúne o maior número de unidades produtivas no País e contribui com parcela significativa de empregos associados às atividades agropecuárias, artesanais e agroindustriais a ele vinculadas, seja no campo ou na cidade” (IBGE, 2020, p. 292).

Como um sistema de reprodução social, promove diversas espacialidades e diversas temporalidades, permitindo a reprodução da família, mas não se limitando a ela, não só em termos econômicos, mas também culturais, visto que essa transmissão de saberes tradicionais proporciona a continuidade de práticas agrícolas harmoniosas com o meio ambiente (IBGE, 2020), podendo ser tipificada, segundo o IBGE (2020), em 3 categorias:

  • Família agrícola de caráter empresarial: tem produção rentável e voltada para o mercado;
  • Família camponesa: tem por finalidade a manutenção da produção agropecuária e da propriedade familiar, sem orientar a produção ao mercado;
  • Família agrícola urbana: possui um sistema de valores próprios, orientando a produção com foco na qualidade de vida, sem desmerecer a realidade de mercado nem os valores da família camponesa.

Porém, existe ainda um outro tipo de agricultura familiar que a princípio, na minha perspectiva, não se encaixa em nenhuma dessas 3 categorias acima descritas, sendo conhecida como coivara ou agricultura de corte e queima ou agricultura itinerante (Ferreira, Lima & Ribeiro, 2024; Marinho Luiz et al., 2020).

©️2026 Daniela Zago.
Todos os direitos reservados.

Referências:
FERREIRA, R.; LIMA, E. & RIBEIRO, R. Transformando a floresta em comida: as roças de coivara e o manejo do fogo. HAAL 5: 1, Maio 2024, pp. 39-60
IBGE. Agricultura Familiar in Atlas do espaço rural brasileiro. Coordenação de Geografia. 2. ed. Rio de Janeiro, 2020.
MARINHO LUIZ, V.; MARINHO DA SILVA, L.; AMÉRICO, M.C.; FRANÇA DIAS, L.M. Roça é vida. IPHAN – Grupo de Trabalho da Roça. São Paulo, 2020.
SILVA, A. J.; BARBOSA, E. L.; SANTOS, L. P.; BRITO VIEIRA, V. C.; CHAVES, S. V. V.; SILVA JÚNIOR, F. J. Estratégias de reprodução socioeconômica da agricultura familiar no cerrado piauiense. Research, Society and Development, v. 10, n. 14, e388101422124, 2021.

O mundo das representações

O mundo das representações é um negócio que, cada vez mais, me encanta.

Fiz um curso introdutório ao sensoriamento remoto e aprendi a processar imagens de satélite. Imagine, até as cores são teorizadas matematicamente.

🤯

A minha velha pedra no sapato, a matemática, tem se tornado encantadora. Acho que porque agora, eu estou vendo um sentido aplicado nela.

Eu não sou da hard science pura. O meu negócio é ciência aplicada mesmo! Enfim…

Compreender o que chamamos de ‘mundo’ a partir de uma outra perspectiva é atrativo para mim. Sempre gostei de pensar sobre o funcionamento das coisas num sentido mais amplo.

🕉️

Quando eu li Platão, eu entendi o que ele dizia sobre o mundo das ideias e o mundo sensível… Mas por aqui nós não falamos sobre filosofia, embora seja possível filosofar.

Bom, voltando ao foco do post, aprendi a processar imagens digitais e coloquei três delas no meu portfólio – qualquer inconsistência é de minha inteira responsabilidade.

Saiba mais

Até breve!