Indo um pouco além da disciplina e expandindo nossa compreensão de ciência e produção de conhecimento, saiba que os Povos Originários também observavam o céu e já tinham suas próprias constelações…
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Quem divulga essa verdadeira pérola é o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG/USP), que publicou o livro digital O Céu dos Povos Originários: O Legado de Germano Afonso – professor que foi referência nos estudos de astronomia indígena no Brasil.
Em 1612, um missionário francês chamado Claude d’Abbeville passou 4 meses entre os tupinambá do Maranhão, da família tupi-guarani, localizados próximos à Linha do Equador.
Em 1614, publicou o livro “História da Missão dos Padres Capuchinhos na Ilha do Maranhão e Terras Adjacentes”, no qual afirmou que “os tupinambá atribuem à Lua o fluxo e o refluxo do mar e distinguem muito bem as duas marés cheias que se verificam na lua cheia e na lua nova ou poucos dias depois”.
Quem ficou conhecido por tal ‘descoberta’ foi Isaac Newton que, em 1687, demonstrou que a causa das marés é a atração gravitacional do Sol e, principalmente, da Lua sobre a superfície da Terra, tendo contribuições de ninguém menos que Galileu Galilei, com a obra “Diálogo sobre os dois máximos sistemas do mundo; ptolomaico e copernicano”.
Nessa mesma obra, o missionário disse que “os tupinambá também observavam o movimento do nascer e do pôr-do-sol e o seu deslocamento na linha do horizonte, que efetua entre os dois trópicos, limites que jamais ultrapassam”. Saiba +
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Além disso, também utilizavam os conhecimentos astronômicos para a agricultura, visto que “associavam as estações do ano e as fases da Lua com a biodiversidade local, para determinarem a época de plantio e da colheita, bem como para a melhoria da produção e o controle natural das pragas”.
Em relação às suas constelações, as princípais indígenas estão localizadas na Via Láctea (Milky Way), a faixa esbranquiçada que atravessa o céu, onde as estrelas e as nebulosas aparecem em maior quantidade, facilmente visível à noite.
Suas constelações são constituídas pela união de estrelas e também pelas manchas claras e escuras da Via Láctea, sendo que a Grande Nuvem de Magalhães e a Pequena Nuvem de Magalhães também são consideradas constelações.
Enquanto a União Astronômica Internacional utiliza um total de 88 constelações distribuídas nos dois hemisférios terrestres, alguns grupos indígenas já mostraram mais de 100 constelações vistas de sua região de observação. Inclusive, o famoso aglomerado estelar das Plêiades era denominado Seichu pelos tupinambá.
“Quando indagados sobre quantas constelações existem, os pajés dizem que tudo que existe no céu existe também na Terra, que nada mais seria do que uma cópia imperfeita do céu. Assim, cada animal terrestre tem seu correspondente celeste, em forma de constelação”
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A seguir, as Principais constelações sazonais reconhecidas pelos povos indígenas brasileiros pertencentes à família tupi-guarani.
Fonte: E-book “O Céu dos Povos Originários: O Legado de Germano Afonso”
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Todas elas têm sua correspondência ocidental. Para saber mais, leia o E-book.
A Astronomia Indígena é fundamentada em conhecimento empírico, ou seja, conhecimento baseado em observação da natureza; no caso, observação do Céu.
Nós herdamos as práticas científicas que surgiram durante a Revolução Científica que, a grosso modo, se baseiam em sistematização do pensamento, matematização dos fenômenos e modelos quantitativos. Por isso se diz ‘Ciência Teórica’, baseada em ideias abstratas. Além disso, as sociedades europeias têm grande influência da tradição judaico-cristã em sua formação social, o que acaba definindo os moldes pelos quais as práticas científicas se realizam.
Entretanto, existem outros mitos que explicam as origens do mundo, do universo e da humanidade e que, consequentemente, dão significados distintos ao conhecimento científico produzido por povos originários. Tanto que a Via Láctea, Milky Way nomeada pelo gregos, se não me engano, é denominada pelos nativos Guarani de Caminho da Anta, principalmente por causa da constelação Anta do Norte.
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Por fim, consegui terminar a reflexão sobre a História da Ciência no Brasil a partir de uma perspectiva Latino Americana!! Eu espero, realmente espero, que você tenha gostado!! Porque o trabalho de pesquisa e escrita foi intenso; mas foi muito bom!! Eu mesma aprendi um monte!!
Foi este texto, publicado pela Revista Pesquisa Fapesp (edição 253, 2017), que já naquela época chamou minha atenção.. nele, é argumentado que antes da chegada dos europeus, a Amazônia era habitada por uns 8 a 10 milhões de índios, sendo provavelmente nômades.
Nessa perspectiva, a floresta era manejada pelos grupos nativos, que sabiam muito bem usar a floresta em benefício próprio, selecionando e cultivando plantas a ponto de alterar suas propriedades, além de fazerem reservatórios de água que possibilitavam agricultura longe dos rios da região.
Claro que essa noção proposta pelo artigo não é unânime, está em estudo, mas existem indícios de que a antiga civilização da Amazônia era dotada de conhecimentos científicos avançados 🧮
E como sabem tudo isso??
Perto dos sítios arqueológicos foi detectada uma maior concentração e diversidade de árvores usadas pelos indígenas da época, que também escavavam valas circulares ou quadradas visíveis a quilometros de altitude; e foi a partir desses desenhos no chão, chamados de geoglifos, que os pesquisadores conseguiram chegar nessas evidências.
Geoglifo descoberto em área desmatada de Tequinho, no Acre — Foto: Martti Pärssinen, disponível em Instituto Geoglifos da Amazônia
A tecnologia que permite esse tipo de varredura do solo é o Sensoriamento Remoto, ou seja, de forma remota, à distância, é possível fazer a varredura a partir de um sensor, por isso sensoriamento – impressionante, né??
Especificamente nesse caso, a tecnologia usada é o LiDAR, Light Detection And Ranging, que é um sensor remoto ativo, a bordo de plataformas tripuladas ou não, que emite pulsos de laser sobre a superfície observada para capturar dados do terreno, ainda que existam árvores plantadas sobre o local observado.
(a parte controversa é que essa descoberta só foi possível por causa do desmatamento da Amazônia 😅 os satélites de observação da Terra não conseguem enxergar abaixo das árvores como o LiDAR faz)
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Por que um imenso pomar??
“Quem já frequentou um pomar e aprendeu quais árvores rendem os melhores frutos consegue imaginar essa seleção como o primeiro passo da domesticação. Aos poucos, começa a haver um manejo diferenciado dessas plantas. O passo seguinte é cultivá-las fora do espaço da floresta, como quintais e roças. Com o tempo, a morfologia e a genética do fruto vão sendo alteradas, criando populações e indivíduos com características muito diferentes do original”
Como eu disse anteriormente, essa perspectiva não é unânime. “Uma das dificuldades é saber se a distribuição das árvores foi realmente alterada por gerações e gerações de índios, ou se os povos se estabeleceram onde havia recursos valiosos”.
Uma das pesquisadoras envolvidas aposta na primeira alternativa, a de que a distribuição das árvores foi realmente alterada por gerações e gerações de índios, visto que encontraram árvores com diferentes preferências ecológicas vivendo nas mesmas parcelas de solos estudados, algo improvável de acontecer naturalmente.
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Mas, o texto Calmaria II é uma continuação da reflexão sobre a História da Ciência no Brasil a partir de uma abordagem latino americana! Assim, devo questionar:
Será que aquelas populações já produziam conhecimento❓
Além da questão botânica e agrológica, também precisamos olhar com calma para os geoglifos que, como dito acima, são desenhos no solo com trincheiras de até 11 metros (m) de largura e 4 m de profundidade, formando figuras geométricas com até 300 m de diâmetro, o que é muito difícil de desenhar.
Não existem indícios de grandes povoados por perto dos geoglifos, o que indica que grupos distintos podem ter feito uso dos mesmos durante longos períodos de tempo, até 3 mil anos, como ponto de encontro.
Em escavações arqueológicas também foram encontradas cerâmicas que foram datadas e, segundo a datação, esses povos habitaram a amazônia por mais de 1000 anos; na época de Cristo eles já estavam lá, sendo que pararam de construir geoglifos apenas em 1300 e acabaram saindo de lá.
Hoje em dia a hipótese mais aceita em relação aos geoglifos é a de que foram feitos para fins cerimoniais, levantando a questão de que a amazônia não é o que acreditávamos que sempre foi! Podendo ter abrigado uma das civilizações mais avançadas da antiguidade, considerando o conhecimento tecnológico e geométrico que possuiam para erguer essas grandes obras de terraplanagem 🫢
Evito de escrever esse tipo de texto, pessoal demais. Mas o blog é pessoal, então resolvi publicar!
Quando eu decidi voltar a estudar era para fazer alguma coisa que fizesse algum sentido pra mim; não trabalhar só pelo dinheiro! (ok, sou idealista!)
Mas, durante a graduação veio a pandemia – que já virou história – e com ela decisões que foram extremamente difíceis.
Voltei a lugares que jamais imaginei ter que voltar; lidar com gente que pensei que já fosse passado, mas ali estava, beeem presente!
Não foi uma, nem duas, nem três rasteiras! Foram várias. Uma atrás da outra!
Mas o que a gente decide de coração tem muita força!
E hoje, olhando para trás, vejo como minha vida faz muito mais sentido do que faria se eu estivesse numa boa empresa, com uma carreira corporativa sólida.
Só hoje consegui perceber como a Vida foi generosa comigo, apesar do preço que eu paguei pelas escolhas que fiz. Mas tudo deu certo! Como se a vida honrasse cada uma das minhas decisões.
Coisas que eu nunca imaginei aconteceram. Lugares que eu não ousava pensar que eram para mim, eu estive lá. E, ainda estou…
Em geral, somos míopes; talvez porque, a cultura imediatista em que estamos imersos faz com que não consigamos enxergar a longo prazo.
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Acho que, no fim das contas, a gente precisa queimar e renascer das próprias cinzas… como a Fênix da imagem deste post. Queimar, Renascer e Ir muito além do que uma versão passada de nós mesmos foi capaz de vislumbrar!
“É preciso ter um caos dentro de si para dar à luz uma estrela dançante.”
Nessa disciplina entendi melhor o que é Agricultura Familiar. Pode ser compreendida como uma instituição social que visa manter a reprodução da família, mas também é um termo genérico que incorpora múltiplas situações particulares, mantendo uma ordem tradicional que lhe define frente aos padrões globais de produção e consumo (Silva et al., 2021; IBGE, 2020).
Esses agricultores, familiares, são marcados por um patrimônio de saberes e práticas tradicionais que, em certa medida, se ajustam à modernidade; entretanto, não rejeitam suas raízes camponesas (Silva et al., 2021). “Esse tipo de agricultura reúne o maior número de unidades produtivas no País e contribui com parcela significativa de empregos associados às atividades agropecuárias, artesanais e agroindustriais a ele vinculadas, seja no campo ou na cidade” (IBGE, 2020, p. 292).
Como um sistema de reprodução social, promove diversas espacialidades e diversas temporalidades, permitindo a reprodução da família, mas não se limitando a ela, não só em termos econômicos, mas também culturais, visto que essa transmissão de saberes tradicionais proporciona a continuidade de práticas agrícolas harmoniosas com o meio ambiente (IBGE, 2020), podendo ser tipificada, segundo o IBGE (2020), em 3 categorias:
Família agrícola de caráter empresarial: tem produção rentável e voltada para o mercado;
Família camponesa: tem por finalidade a manutenção da produção agropecuária e da propriedade familiar, sem orientar a produção ao mercado;
Família agrícola urbana: possui um sistema de valores próprios, orientando a produção com foco na qualidade de vida, sem desmerecer a realidade de mercado nem os valores da família camponesa.
Porém, existe ainda um outro tipo de agricultura familiar que a princípio, na minha perspectiva, não se encaixa em nenhuma dessas 3 categorias acima descritas, sendo conhecida como coivara ou agricultura de corte e queima ou agricultura itinerante (Ferreira, Lima & Ribeiro, 2024; Marinho Luiz et al., 2020).
Referências: FERREIRA, R.; LIMA, E. & RIBEIRO, R. Transformando a floresta em comida: as roças de coivara e o manejo do fogo. HAAL 5: 1, Maio 2024, pp. 39-60 IBGE. Agricultura Familiar in Atlas do espaço rural brasileiro. Coordenação de Geografia. 2. ed. Rio de Janeiro, 2020. MARINHO LUIZ, V.; MARINHO DA SILVA, L.; AMÉRICO, M.C.; FRANÇA DIAS, L.M. Roça é vida. IPHAN – Grupo de Trabalho da Roça. São Paulo, 2020. SILVA, A. J.; BARBOSA, E. L.; SANTOS, L. P.; BRITO VIEIRA, V. C.; CHAVES, S. V. V.; SILVA JÚNIOR, F. J. Estratégias de reprodução socioeconômica da agricultura familiar no cerrado piauiense. Research, Society and Development, v. 10, n. 14, e388101422124, 2021.
Territórios Tradicionais, como os quilombos, são os espaços necessários à reprodução cultural, social e econômica de povos etnicamente diferenciados (Brasil, 2007); já se organizavam no Brasil desde o século XVI, junto à rebeliões e fugas (Maringoni, 2011).
Entretanto, foi apenas em meados do século XX que os quilombos foram reconhecidos, a partir de pesquisas cujas pautas se centralizaram na questão da etnicidade, que visam às identificações culturais de origens étnicas e raciais (Bezerra Carril, 2017), o que fortalece a ideia de que no Brasil o processo de conquista de direitos é sempre presente, e a luta por justiça e educação se remetem à história da formação social brasileira (Bezerra Carril, 2017).
Apesar de em 2025 o Brasil atingir a menor taxa de analfabetismo desde 2016, “o analfabetismo de pretos ou pardos com 60 anos ou mais é quase três vezes superior ao de brancos” (Brasil, 2025), demonstrando que a sociedade brasileira é estruturalmente racista e desigual.
Reforçando essa hipótese, historicamente, o negro no Brasil foi largado à própria sorte: “após a assinatura da Lei Áurea não houve uma orientação destinada a integrar os negros às novas regras de uma sociedade baseada no trabalho assalariado” (Maringoni, 2011).
Tampouco foi feito um esforço de integrá-los à educação, visto que “a educação brasileira alijou grande parcela da sociedade de um ensino público, gratuito e de qualidade, verificando-se ainda que o afrodescendente compõe, até os dias atuais, o maior número de estudantes que se evade da escolarização completa” (Bezerra Carril, 2017).
É nesse contexto que Bezerra Carril (2017) se propõe a pensar uma educação diferenciada, baseada “nos contextos de uso do território, da etnicidade e da memória presentes nas narrativas dos sujeitos no intuito de construir metodologias que proporcionem aprendizagens tendo como ponto de partida elementos referentes às realidades locais das comunidades”. (grifos meu)
Por tudo isso, propus analisar os dados do Censo Quilombola (IBGE, 2022) e os Microdados do Censo da Educação Básica, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep, 2025), para verificar a situação atual da educação quilombola em relação às escolas diferenciadas. Eis a análise:
Dados e Metodologia
Censo Quilombola, IBGE 2022, com a Tabela 10091 – Taxa de alfabetização da população, total e quilombola, de 15 anos ou mais de idade, por sexo, grupos de idade, localização e situação do domicílio e a variável Taxa de alfabetização das pessoas quilombolas de 15 anos ou mais de idade (%) – Total Urbano e Total Rural.
Censo Quilombola, IBGE 2022, com a Tabela 10089 – População residente, total e quilombola, por sexo e grupos de idade, segundo localização e situação do domicílio e variável Pessoas quilombolas – Total Urbana e Total Rural.
Censo Escolar, INEP 2025, com a Tabela Escola 2025 e a variável Materiais pedagógicos para a educação escolar quilombola – Instrumentos, materiais socioculturais e/ou pedagógicos em uso na escola para o desenvolvimento de atividades de ensino aprendizagem.
Essas tabelas estão disponíveis em seus respectivos sites, sendo disponibilizadas em arquivos .xlsx ou .ods ou .csv. A unidade de análise foram os Municípiosdo Brasil que possuem informação sobre a taxa de alfabetização quilombola. Todas as camadas de dados foram colocadas no Sistema de Coordenadas Geográfica, SIRGAS 2000 e os softwares utilizados foram o QGIS versão 3.40.15-Bratislava e Excel Microsoft Office Home 2024.
O arquivo das Escolas, disponibilizado pelo INEP, têm coordenadas geográficas, o que facilita subir o arquivo em Sistemas de Informações Geográficas e em seguida exporta-lo como shapefile. No caso das planilhas disponibilizadas pelo IBGE, os arquivos .csv foram unidos à malha cartográfica municipal (IBGE, 2025) pelo código do município nas propriedades da camada, sendo, neste último caso, retiradas as feições com NULL, utilizando a expressão ‘valor’ is not null. Em relação aos dados da Tabela 10089 – Pessoas Quilombolas – foram analisados os mesmos municípios que têm taxa de alfabetização; para isso foi feita uma busca por seleção, parâmetro equal.
Resultados e Discussão
A população quilombola residente no Brasil é de 1.330.186 pessoas (IBGE, 2022). Entretanto, para este trabalho apenas os municípios que têm taxa de alfabetização quilombola foram analisados, totalizando 93.037 quilombolas residentes, sendo divididos entre População Quilombola Rural e Urbana. A seguir, o gráfico 1 mostra tais populações:
Gráfico 1: População quilombola brasileira – Rural e Urbana Fonte: Censo IBGE 2022 | Elaboração própria
População Quilombola Urbana
Em relação à taxa de alfabetização de pessoas quilombolas em ambientas urbanos, temos os seguintes valores:
Valor mínimo: 25%
Valor máximo: 100%
Média: 92,23%
Mediana: 100%
Amplitude: 75
Valores faltantes: 243 de um total de 510 municípios.
Sendo que a maioria dos municípios com essa informação disponível estão na classe entre 85 e 100% da população alfabetizada (figura 1).
Figura 1: Taxa de alfabetização quilombola por município/Brasil – Urbano Fonte: Censo IBGE 2022 | Elaboração própria
Em relação à população quilombola em ambiente urbano, os valores são os seguintes (figura 2):
Total: 37.360
Valor mínimo: 1
Valor máximo: 4.851
Média: 102,63
Mediana: 9
Amplitude: 4.850
Valores faltantes: 146 de um total de 510 municípios
Assimetria: 8.10 – indicando que os valores estão bem abaixo da média.
Figura 2: População Quilombola e Taxa de alfabetização quilombola por município/Brasil – Urbano | Fonte: Censo IBGE 2022 | Elaboração própria
População Quilombola Rural
A taxa de alfabetização de pessoas quilombolas em ambientes rurais, seguem os seguintes valores:
Valor mínimo: 25%
Valor máximo: 100%
Média: 88,01
Mediana: 100%
Amplitude: 75
Valores faltantes: 229 de um total de 510 municípios.
Sendo a maior parte dos municípios concentrados na classe de 80 a 100% (figura 3):
Figura 3: Taxa de alfabetização quilombola por município/Brasil – Rural Fonte: Censo IBGE 2022 | Elaboração própria
Em relação à população quilombola em ambiente rural, seguem os valores (figura 4):
Total: 55.677
Valor mínimo: 1
Valor máximo: 4.491
Média: 137,13
Mediana: 8,5
Amplitude: 4.490
Valores faltantes: 104 de um total de 510 municípios
Assimetria: 6,09 – indicando que os valores estão abaixo da média.
Figura 4: População Quilombola e Taxa de alfabetização quilombola por município/Brasil – Rural | Fonte: Censo IBGE 2022 | Elaboração própria
Escolas Diferenciadas
Em relação às escolas, no total são 214.192 localizações distribuídas pelo Brasil inteiro. Porém, dessas, apenas 1.941 têm materiais pedagógicos para uma educação quilombola diferenciada.
Contudo, como se trata de localização, vários pontos caem fora da fronteira brasileira; por isso, foi feito uma busca por localização para analisar apenas as escolas que estão dentro do limite brasileiro; parâmetro usado are within, resultando em 1.519 escolas com materiais diferenciados para quilombolas (figura 5).
Entretanto, sendo a unidade de análise os municípios que possuem taxa de alfabetização, foi feito ainda uma nova busca por localização para verificar quantas escolas diferenciadas estão dentro dessas unidades de análise, resultando em 159 apenas (figura 6); em relação aos municípios com escolas diferenciadas, são apenas 85 (figura 7).
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Discussão
Em relação às taxas de alfabetização não existem grandes diferenças. A maioria dos municípios tem taxa de alfabetização entre 80 e 100%, indicando que a população quilombola é, em grande parte, alfabetizada, tanto em ambiente urbano como em ambiente rural.
No que diz respeito à população desses municípios, em ambiente rural, a maioria se concentra nas 4 primeiras classes, até 845, indicando que as comunidades são pequenas (figura 4). Já a população quilombola urbana tem sua grande maioria na primeira classe (figura 2) até 46, indicando que as comunidades são ainda menores. A seguir, os histogramas das populações quilombola rural e urbana ilustram tais distribuições – gráfico 2 e 3.
Gráfico 2: Histograma – População Quilombola Rural Fonte: Censo IBGE 2022 | Elaboração própriaGráfico 3: Histograma – População Quilombola Urbana Fonte: Censo IBGE 2022 | Elaboração própria
Apesar das populações analisadas em sua maioria serem alfabetizadas, há indícios de que essa alfabetização não segue o modelo proposto de educação diferenciada, visto que, com base nas figuras 6 e 7, há poucas escolas com materiais diferenciados para educação quilombola, e apenas 85 municípios com a presença delas. Somando as populações desses municípios, há um contingente de 38.338 quilombolas em municípios com taxa de alfabetização que possuem escolas diferenciadas.
Considerando o universo inicial da análise, 93.037 quilombolas, em torno de 41% deles residem em municípios com escolas diferenciadas; sem levar em consideração o trajeto dessas pessoas a tais escolas, já que não foi contemplada nesta análise a localidade das escolas em relação à localidade das comunidades.
Considerações finais
O trabalho trouxe à pauta um tema relevante para a educação do país, em específico para a educação da população quilombola brasileira. Todavia, trata-se de uma análise exploratória que levanta questões a serem melhores analisadas em trabalhos futuros. Ainda assim, mostrou-se relevante ao tema, apontando que a educação diferenciada busca alcançar as comunidades quilombolas.
Referências: BEZERRA CARRIL, L.F. Os desafios da educação quilombola no Brasil: o território como contexto e texto. Revista Brasileira de Educação. v. 22, n. 69, abr.-jun. 2017 BRASIL. Decreto nº 6.040, de 7 de fevereiro de 2007. Institui a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 07, dez. 2007. Disponível em: < https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/decreto/d6040.htm > Acesso em: 25/06/2026. BRASIL. Secretaria de Comunicação Social. EDUCAÇÃO – Brasil atinge, em 2025, a menor taxa de analfabetismo do país desde 2016, início da série histórica. Disponível em < https://www.gov.br/secom/pt-br/acompanhe-a-secom/noticias/2026/06/brasil-atinge-em-2025-a-menor-taxa-de-analfabetismo-do-pais-desde-2016-inicio-da-serie-historica > Acesso em 25/06/2026. IBGE. Malha Municipal. Disponível em < https://www.ibge.gov.br/geociencias/organizacao-do-territorio/malhas-territoriais/15774-malhas.html > Acesso em 22/06/2026 IBGE. Quilombolas: Principais características das pessoas e dos domicílios, por situação urbana ou rural do domicílio: Resultados do Universo 09/05/2025. Disponível em < https://censo2022.ibge.gov.br/panorama/downloads.html?localidade=BR > Acesso em 22/05/2026 IBGE. O Brasil Quilombola – Primeiro Censo Quilombola. Disponível em < https://www.ibge.gov.br/brasil-quilombola/ > Acesso em 23/06/2026 INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Censo Escolar 2025. Disponível em < https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/pesquisas-estatisticas-e-indicadores/censo-escolar/resultados > Acesso em 23/06/2026 MARINGONI, G. História – O destino dos negros após a Abolição. Ipea – Desafios do desenvolvimento. Ano 8. Edição 70. 29/12/2011. Disponível em < https://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_content&id=2673%3Acatid%3D28 > Acesso em 25/06/2026.