Indo um pouco além da disciplina e expandindo nossa compreensão de ciência e produção de conhecimento, saiba que os Povos Originários também observavam o céu e já tinham suas próprias constelações…
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Quem divulga essa verdadeira pérola é o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG/USP), que publicou o livro digital O Céu dos Povos Originários: O Legado de Germano Afonso – professor que foi referência nos estudos de astronomia indígena no Brasil.
Astronomia Indígena
Fonte: Afonso, G.B. Astronomia Indígena. Anais da 61ª Reunião Anual da SBPC. Manaus, AM. Julho/2009
Em 1612, um missionário francês chamado Claude d’Abbeville passou 4 meses entre os tupinambá do Maranhão, da família tupi-guarani, localizados próximos à Linha do Equador.
Em 1614, publicou o livro “História da Missão dos Padres Capuchinhos na Ilha do Maranhão e Terras Adjacentes”, no qual afirmou que “os tupinambá atribuem à Lua o fluxo e o refluxo do mar e distinguem muito bem as duas marés cheias que se verificam na lua cheia e na lua nova ou poucos dias depois”.
Quem ficou conhecido por tal ‘descoberta’ foi Isaac Newton que, em 1687, demonstrou que a causa das marés é a atração gravitacional do Sol e, principalmente, da Lua sobre a superfície da Terra, tendo contribuições de ninguém menos que Galileu Galilei, com a obra “Diálogo sobre os dois máximos sistemas do mundo; ptolomaico e copernicano”.
Nessa mesma obra, o missionário disse que “os tupinambá também observavam o movimento do nascer e do pôr-do-sol e o seu deslocamento na linha do horizonte, que efetua entre os dois trópicos, limites que jamais ultrapassam”. Saiba +
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Além disso, também utilizavam os conhecimentos astronômicos para a agricultura, visto que “associavam as estações do ano e as fases da Lua com a biodiversidade local, para determinarem a época de plantio e da colheita, bem como para a melhoria da produção e o controle natural das pragas”.
Em relação às suas constelações, as princípais indígenas estão localizadas na Via Láctea (Milky Way), a faixa esbranquiçada que atravessa o céu, onde as estrelas e as nebulosas aparecem em maior quantidade, facilmente visível à noite.
Suas constelações são constituídas pela união de estrelas e também pelas manchas claras e escuras da Via Láctea, sendo que a Grande Nuvem de Magalhães e a Pequena Nuvem de Magalhães também são consideradas constelações.
Enquanto a União Astronômica Internacional utiliza um total de 88 constelações distribuídas nos dois hemisférios terrestres, alguns grupos indígenas já mostraram mais de 100 constelações vistas de sua região de observação. Inclusive, o famoso aglomerado estelar das Plêiades era denominado Seichu pelos tupinambá.
“Quando indagados sobre quantas constelações existem, os pajés dizem que tudo que existe no céu existe também na Terra, que nada mais seria do que uma cópia imperfeita do céu. Assim, cada animal terrestre tem seu correspondente celeste, em forma de constelação”
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A seguir, as Principais constelações sazonais reconhecidas pelos povos indígenas brasileiros pertencentes à família tupi-guarani.
Fonte: E-book “O Céu dos Povos Originários: O Legado de Germano Afonso”
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Todas elas têm sua correspondência ocidental. Para saber mais, leia o E-book.
A Astronomia Indígena é fundamentada em conhecimento empírico, ou seja, conhecimento baseado em observação da natureza; no caso, observação do Céu.
Nós herdamos as práticas científicas que surgiram durante a Revolução Científica que, a grosso modo, se baseiam em sistematização do pensamento, matematização dos fenômenos e modelos quantitativos. Por isso se diz ‘Ciência Teórica’, baseada em ideias abstratas. Além disso, as sociedades europeias têm grande influência da tradição judaico-cristã em sua formação social, o que acaba definindo os moldes pelos quais as práticas científicas se realizam.
Entretanto, existem outros mitos que explicam as origens do mundo, do universo e da humanidade e que, consequentemente, dão significados distintos ao conhecimento científico produzido por povos originários. Tanto que a Via Láctea, Milky Way nomeada pelo gregos, se não me engano, é denominada pelos nativos Guarani de Caminho da Anta, principalmente por causa da constelação Anta do Norte.
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Por fim, consegui terminar a reflexão sobre a História da Ciência no Brasil a partir de uma perspectiva Latino Americana!! Eu espero, realmente espero, que você tenha gostado!! Porque o trabalho de pesquisa e escrita foi intenso; mas foi muito bom!! Eu mesma aprendi um monte!!
Se encontrou algum erro, me deixe saber!!
E me ajude a divulgar o blog!! 🥰 até mais!!







