Povos e Comunidades Tradicionais

Um texto daqueles que se eu não escrever, eu não durmo! 😅

Lendo um livro que fortemente recomendo a leitura, o autor fala sobre São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, que não deu 1 único voto ao Bolsonaro pai na eleição de 2022. Ao terminar a análise das urnas, verificou que, na verdade, foram 160 urnas espalhadas pelo país que não deram nenhum voto para ele.

Ao investigar as localidades dessas zonas eleitorais, o autor expõe que se localizam em comunidades quilombolas ou indígenas, onde o perfil dos eleitores tem baixa identificação com o candidato em questão e, por fim, concluiu que comprar ou forçar votos no Brasil acaba sendo muito mais fácil do que fraudar as urnas eletrônicas!

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Devo dizer que a intenção do texto não é negar que talvez exista compra de votos país afora. Entretanto, do pouco que conheço sobre Povos e Comunidades Tradicionais, cabe dizer que são extremamente politizados e com muita consciência do que é melhor para si!

Se você acompanha o blog, senta que lá vem legislação!!

O Decreto que instituiu a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais foi o de nº 6.040/2007 – governo Lula. É esse decreto que reconhece e define legalmente:

  • Povos e Comunidades Tradicionais: grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição;
  • Territórios Tradicionais: os espaços necessários a reprodução cultural, social e econômica dos povos e comunidades tradicionais, sejam eles utilizados de forma permanente ou temporária, observado, no que diz respeito aos povos indígenas e quilombolas, respectivamente, o que dispõem os arts. 231 da Constituição e 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e demais regulamentações; e
  • Desenvolvimento Sustentável: o uso equilibrado dos recursos naturais, voltado para a melhoria da qualidade de vida da presente geração, garantindo as mesmas possibilidades para as gerações futuras.

A lei nº 11.428/2006 – governo Lula -, fala sobre a utilização e proteção da vegetação nativa do Bioma Mata Atlântica, e dá outras providências, considera para os efeitos da lei:

  • Pequeno produtor rural: aquele que, residindo na zona rural, detenha a posse de gleba rural não superior a 50 (cinqüenta) hectares, explorando-a mediante o trabalho pessoal e de sua família, admitida a ajuda eventual de terceiros, bem como as posses coletivas de terra considerando-se a fração individual não superior a 50 (cinqüenta) hectares, cuja renda bruta seja proveniente de atividades ou usos agrícolas, pecuários ou silviculturais ou do extrativismo rural em 80% (oitenta por cento) no mínimo;
  • População tradicional: população vivendo em estreita relação com o ambiente natural, dependendo de seus recursos naturais para a sua reprodução sociocultural, por meio de atividades de baixo impacto ambiental;
  • Pousio: prática que prevê a interrupção de atividades ou usos agrícolas, pecuários ou silviculturais do solo por até 10 (dez) anos para possibilitar a recuperação de sua fertilidade;

Alguns Povos e Comunidades Tradicionais se enquadram como pequenos agricultores a fim de acessarem políticas públicas relacionadas ao setor.

Já a lei nº 14.944/2024 – governo Lula – instituiu a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo reconhecendo o uso tradicional e adaptativo do fogo como:

  • Prática ancestral adaptada às condições territoriais, ambientais e climáticas atuais, empregada por povos indígenas, comunidades quilombolas e outras comunidades tradicionais em suas atividades de reprodução física e cultural, relacionada com a agricultura, a caça, o extrativismo, a cultura e a cosmovisão, próprias de sua gestão territorial e ambiental,
  • Sendo permitido seu uso nas práticas culturais e de agricultura de subsistência exercidas por povos indígenas, comunidades quilombolas, outras comunidades tradicionais e agricultores familiares, conforme seus usos e costumes.

O manejo com fogo na agricultura é uma prática milenar que ocorre em todas as florestas tropicais – futuramente esse tema em específico será aprofundado aqui no blog.

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A relação que esses povos têm com o Planeta Terra é simbiótica, são um só organismo. Nas palavras de Ailton Krenak, “estamos a tal ponto dopados por essa realidade nefasta de consumo e entretenimento que nos desconectamos do organismo vivo da terra”.

A Floresta é a casa deles, é de onde vêm a comida, o abrigo e a vida. A floresta é Vida. Nas palavras do referido autor:

“O dilema político que ficou para as nossas comunidades que sobreviveram ao século XX é ainda hoje precisar disputar os últimos redutos onde a natureza é próspera, onde podemos suprir as nossas necessidades alimentares e de moradia, e onde sobrevivem os modos que cada uma dessas pequenas sociedades tem de se manter no tempo, dando conta de si mesmas sem criar uma dependência excessiva do Estado.”

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O contraste entre as ações dos governos Lula e Bolsonaro é evidente! No único governo Bolsonaro houve corte no orçamento e redução de funcionários no Ibama e ICMBio, além de entraves políticos com a então direção do INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Infoamazonia

A relação entre o fortalecimento dos órgãos de fiscalização e a queda do desmatamento ilegal e invasão de TIs é direta, e clara como a luz do dia. Desmatamento na Amazônia atinge o maior nível em 12 anos sob Bolsonaro | Floresta amazônica ‘entrará em colapso se Bolsonaro continuar como presidente’

A Amazônia não é terra de ninguém!!
Leia a trilogia Calmaria
Saiba ➕

A seguir, seguem alguns impasses dos Bolsonaro relacionados aos Povos e Comunidades Tradicionais:

Justiça condena Bolsonaro à indenização por ofensa a quilombolas. Palavras do Bolsonaro pai: “Eu fui num quilombo em Eldorado Paulista. Olha, o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada, eu acho que nem pra procriador servem mais. Mais de R$ 1 bilhão por ano gastos com eles. Recebem cesta básica e mais material e implementos agrícolas”.

“Nem um centímetro a mais para terras indígenas”, diz Bolsonaro em 2018.

Flávio diz que indígenas “não querem ser mais um animal de zoológico”, é a favor do marco temporal, sendo que os própios Indígenas promovem mobilização em todo o país contra marco temporal.

Fora a situação dos Yanomami durante o governo Bolsonaro pai. ‘Não queremos voltar a chorar’: mulheres Yanomami lançam manifesto contra Flávio Bolsonaro.

Além da extinção do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, no governo Temer, e a realocação de parte da agenda para outra pasta, no governo Bolsonaro.

Além da reflexão já feita neste blog: “Onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração”

Se quiser saber mais:

⚠️ Importante reforçar:
Neste blog, não somos comunistas!!
Recomendo que busque saber sobre a agenda liberal do ganhador do prêmio nobel de economia Amartya Sen.
Liberdade vai muito além do Livre Mercado! ⚠️

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Voltando ao assunto do início deste texto, particularmente, não acredito que o PT precise comprar o voto dessas pessoas. Chega a ser ofensiva a forma como se referem a elas, ao território delas e ao modo de vida delas, como se valessem menos do que a gente – branco, urbano e consumidor de supermercado!

Se quiser saber mais sobre esses brasileiros tão invisibilizados, clique aqui, e boa reflexão!!

Será que as mulheres sabem votar?

Esses dias estava rolando o feed no instagram e uma frase pegou minha atenção, a moça disse: os homens querem mulheres que não existem mais, e as mulheres querem homens que não existem ainda… e eu concordei com ela!!

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Antigamente, as mulheres não tinham escolhas. A única coisa que elas tinham para fazer era se casar, muitas vezes com o homem escolhido pela própria família. Isso parece coisa de filme, mas na verdade foi praticamente ontem na história da humanidade. Minhas avós casaram porque era a única coisa que elas poderiam ter feito.

Da minha avó materna tenho apenas uma lembrança: ela me pedindo para passar creme nas pernas dela. Eu devia ter entre uns 5 e 7 anos, e durante esse momento ela me disse: se eu soubesse que casar era isso, eu não tinha casado. Morreu quando eu tinha 9 anos. Foi mãe de 18 filhos, um atrás do outro, sendo uma gestação de gêmeos; 6 crianças morreram, 12 sobreviveram, pelo que minha mãe conta, em pobreza extrema, em meados do século XX.

Com a minha avó paterna a relação foi bem mais próxima e nossas conversas sempre foram mais profundas. Ela me contou que só estudou até a 4ª série porque o pai dela não deixou que se mudasse de cidade com a profa. para continuar estudando; a família dela era sitiante pobre, e ela era a filha mais nova que levava marmita na roça, naquele sol que ninguém aguentava.

Casou-se com 21 anos e no dia seguinte já estava lavando roupa. Teve o primeiro filho, depois o segundo, e a vida foi isso. Me lembro quando ela me contou que a melhor coisa que aconteceu com ela foi a aposentadoria dela. Ter o próprio dinheiro e não dar satisfação para ninguém era a realização da vida dela.

Estou te contando sobre as minhas origens. Sobre as faltas de alternativas que, de forma direta, me trouxeram até aqui, a escrever para você!

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A vida das mulheres sempre foi decidida pelos familiares, em geral, o pai. O pai leva a filha até o altar para entregá-la a outro homem que irá desposá-la… com a benção da mãe!

É natural que os homens continuem procurando uma mulher que lhes sirva, como a mãe e/ou as irmãs faziam – o lugar dessa mulher histórica é na cozinha.

E o que tudo isso tem a ver com o título que eu coloquei, Será que as mulheres sabem votar? Tudo. No fim das contas, [querer] tirar das mulheres sua livre expressão, seja no voto ou não, nada mais é do que uma tentativa de retorno a esse lugar histórico onde elas já não cabem mais.

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Mas, fique tranquilo, fique tranquila! São os semelhantes que se atraem 😊 todo relacionamento é um contrato assinado pelas partes envolvidas.

Hoje em dia, eu olho no espelho e vejo tudo o que deixei para trás! Sim, eu sei votar! Todas nós sabemos!! ✊

Calmaria III

Indo um pouco além da disciplina e expandindo nossa compreensão de ciência e produção de conhecimento, saiba que os Povos Originários também observavam o céu e já tinham suas próprias constelações…

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Quem divulga essa verdadeira pérola é o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG/USP), que publicou o livro digital O Céu dos Povos Originários: O Legado de Germano Afonso – professor que foi referência nos estudos de astronomia indígena no Brasil.

Astronomia Indígena

Fonte: Afonso, G.B. Astronomia Indígena. Anais da 61ª Reunião Anual da SBPC. Manaus, AM. Julho/2009

Em 1612, um missionário francês chamado Claude d’Abbeville passou 4 meses entre os tupinambá do Maranhão, da família tupi-guarani, localizados próximos à Linha do Equador.

Em 1614, publicou o livro “História da Missão dos Padres Capuchinhos na Ilha do Maranhão e Terras Adjacentes”, no qual afirmou que “os tupinambá atribuem à Lua o fluxo e o refluxo do mar e distinguem muito bem as duas marés cheias que se verificam na lua cheia e na lua nova ou poucos dias depois”.

Quem ficou conhecido por tal ‘descoberta’ foi Isaac Newton que, em 1687, demonstrou que a causa das marés é a atração gravitacional do Sol e, principalmente, da Lua sobre a superfície da Terra, tendo contribuições de ninguém menos que Galileu Galilei, com a obra “Diálogo sobre os dois máximos sistemas do mundo; ptolomaico e copernicano”.

Nessa mesma obra, o missionário disse que “os tupinambá também observavam o movimento do nascer e do pôr-do-sol e o seu deslocamento na linha do horizonte, que efetua entre os dois trópicos, limites que jamais ultrapassam”. Saiba +

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Além disso, também utilizavam os conhecimentos astronômicos para a agricultura, visto que “associavam as estações do ano e as fases da Lua com a biodiversidade local, para determinarem a época de plantio e da colheita, bem como para a melhoria da produção e o controle natural das pragas”.

Em relação às suas constelações, as princípais indígenas estão localizadas na Via Láctea (Milky Way), a faixa esbranquiçada que atravessa o céu, onde as estrelas e as nebulosas aparecem em maior quantidade, facilmente visível à noite.

Suas constelações são constituídas pela união de estrelas e também pelas manchas claras e escuras da Via Láctea, sendo que a Grande Nuvem de Magalhães e a Pequena Nuvem de Magalhães também são consideradas constelações.

Enquanto a União Astronômica Internacional utiliza um total de 88 constelações distribuídas nos dois hemisférios terrestres, alguns grupos indígenas já mostraram mais de 100 constelações vistas de sua região de observação. Inclusive, o famoso aglomerado estelar das Plêiades era denominado Seichu pelos tupinambá.

“Quando indagados sobre quantas constelações existem, os pajés dizem que tudo que existe no céu existe também na Terra, que nada mais seria do que uma cópia imperfeita do céu. Assim, cada animal terrestre tem seu correspondente celeste, em forma de constelação”

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A seguir, as Principais constelações sazonais reconhecidas pelos povos indígenas brasileiros pertencentes à família tupi-guarani.

Fonte: E-book “O Céu dos Povos Originários: O Legado de Germano Afonso”

Clique nas imagens:

Todas elas têm sua correspondência ocidental. Para saber mais, leia o E-book.

A Astronomia Indígena é fundamentada em conhecimento empírico, ou seja, conhecimento baseado em observação da natureza; no caso, observação do Céu.

Nós herdamos as práticas científicas que surgiram durante a Revolução Científica que, a grosso modo, se baseiam em sistematização do pensamento, matematização dos fenômenos e modelos quantitativos. Por isso se diz ‘Ciência Teórica’, baseada em ideias abstratas. Além disso, as sociedades europeias têm grande influência da tradição judaico-cristã em sua formação social, o que acaba definindo os moldes pelos quais as práticas científicas se realizam.

Entretanto, existem outros mitos que explicam as origens do mundo, do universo e da humanidade e que, consequentemente, dão significados distintos ao conhecimento científico produzido por povos originários. Tanto que a Via Láctea, Milky Way nomeada pelo gregos, se não me engano, é denominada pelos nativos Guarani de Caminho da Anta, principalmente por causa da constelação Anta do Norte.

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Por fim, consegui terminar a reflexão sobre a História da Ciência no Brasil a partir de uma perspectiva Latino Americana!! Eu espero, realmente espero, que você tenha gostado!! Porque o trabalho de pesquisa e escrita foi intenso; mas foi muito bom!! Eu mesma aprendi um monte!!

Se encontrou algum erro, me deixe saber!!

E me ajude a divulgar o blog!! 🥰 até mais!!

Calmaria II

Um imenso pomar: Distribuição de árvores e geoglifos ressaltam o impacto de populações humanas pré-colombianas na floresta amazônica

Foi este texto, publicado pela Revista Pesquisa Fapesp (edição 253, 2017), que já naquela época chamou minha atenção.. nele, é argumentado que antes da chegada dos europeus, a Amazônia era habitada por uns 8 a 10 milhões de índios, sendo provavelmente nômades.

Nessa perspectiva, a floresta era manejada pelos grupos nativos, que sabiam muito bem usar a floresta em benefício próprio, selecionando e cultivando plantas a ponto de alterar suas propriedades, além de fazerem reservatórios de água que possibilitavam agricultura longe dos rios da região.

Claro que essa noção proposta pelo artigo não é unânime, está em estudo, mas existem indícios de que a antiga civilização da Amazônia era dotada de conhecimentos científicos avançados 🧮

E como sabem tudo isso??

Perto dos sítios arqueológicos foi detectada uma maior concentração e diversidade de árvores usadas pelos indígenas da época, que também escavavam valas circulares ou quadradas visíveis a quilometros de altitude; e foi a partir desses desenhos no chão, chamados de geoglifos, que os pesquisadores conseguiram chegar nessas evidências.

Geoglifo descoberto em área desmatada de Tequinho, no Acre — Foto: Martti Pärssinen, disponível em Instituto Geoglifos da Amazônia

Geoglifo descoberto em área desmatada de Tequinho, no Acre — Foto: Martti Pärssinen, disponível em Instituto Geoglifos da Amazônia

A tecnologia que permite esse tipo de varredura do solo é o Sensoriamento Remoto, ou seja, de forma remota, à distância, é possível fazer a varredura a partir de um sensor, por isso sensoriamento – impressionante, né??

Especificamente nesse caso, a tecnologia usada é o LiDAR, Light Detection And Ranging, que é um sensor remoto ativo, a bordo de plataformas tripuladas ou não, que emite pulsos de laser sobre a superfície observada para capturar dados do terreno, ainda que existam árvores plantadas sobre o local observado.

(a parte controversa é que essa descoberta só foi possível por causa do desmatamento da Amazônia 😅 os satélites de observação da Terra não conseguem enxergar abaixo das árvores como o LiDAR faz)

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Por que um imenso pomar??

“Quem já frequentou um pomar e aprendeu quais árvores rendem os melhores frutos consegue imaginar essa seleção como o primeiro passo da domesticação. Aos poucos, começa a haver um manejo diferenciado dessas plantas. O passo seguinte é cultivá-las fora do espaço da floresta, como quintais e roças. Com o tempo, a morfologia e a genética do fruto vão sendo alteradas, criando populações e indivíduos com características muito diferentes do original”

Como eu disse anteriormente, essa perspectiva não é unânime. “Uma das dificuldades é saber se a distribuição das árvores foi realmente alterada por gerações e gerações de índios, ou se os povos se estabeleceram onde havia recursos valiosos”.

Uma das pesquisadoras envolvidas aposta na primeira alternativa, a de que a distribuição das árvores foi realmente alterada por gerações e gerações de índios, visto que encontraram árvores com diferentes preferências ecológicas vivendo nas mesmas parcelas de solos estudados, algo improvável de acontecer naturalmente.

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Mas, o texto Calmaria II é uma continuação da reflexão sobre a História da Ciência no Brasil a partir de uma abordagem latino americana! Assim, devo questionar:

Será que aquelas populações já produziam conhecimento❓

Além da questão botânica e agrológica, também precisamos olhar com calma para os geoglifos que, como dito acima, são desenhos no solo com trincheiras de até 11 metros (m) de largura e 4 m de profundidade, formando figuras geométricas com até 300 m de diâmetro, o que é muito difícil de desenhar.

Não existem indícios de grandes povoados por perto dos geoglifos, o que indica que grupos distintos podem ter feito uso dos mesmos durante longos períodos de tempo, até 3 mil anos, como ponto de encontro.

Em escavações arqueológicas também foram encontradas cerâmicas que foram datadas e, segundo a datação, esses povos habitaram a amazônia por mais de 1000 anos; na época de Cristo eles já estavam lá, sendo que pararam de construir geoglifos apenas em 1300 e acabaram saindo de lá.

Hoje em dia a hipótese mais aceita em relação aos geoglifos é a de que foram feitos para fins cerimoniais, levantando a questão de que a amazônia não é o que acreditávamos que sempre foi! Podendo ter abrigado uma das civilizações mais avançadas da antiguidade, considerando o conhecimento tecnológico e geométrico que possuiam para erguer essas grandes obras de terraplanagem 🫢

Mais uma referência: Uma civilização esquecida da Amazônia | INEXPLICÁVEL COM DANTON MELLO | HISTORY

Teremos em breve o texto Calmaria III 😍 eu simplesmente não consigo terminar essa reflexão!! 🤣

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Se você encontrou algum erro, me deixe saber! Até breve! E me ajude a divulgar o blog 🥰

O caos foi meu!

Existem caminhos que a gente não entende!

Evito de escrever esse tipo de texto, pessoal demais. Mas o blog é pessoal, então resolvi publicar!

Quando eu decidi voltar a estudar era para fazer alguma coisa que fizesse algum sentido pra mim; não trabalhar só pelo dinheiro! (ok, sou idealista!)

Mas, durante a graduação veio a pandemia – que já virou história – e com ela decisões que foram extremamente difíceis.

Voltei a lugares que jamais imaginei ter que voltar; lidar com gente que pensei que já fosse passado, mas ali estava, beeem presente!

Não foi uma, nem duas, nem três rasteiras! Foram várias. Uma atrás da outra!

Mas o que a gente decide de coração tem muita força!

E hoje, olhando para trás, vejo como minha vida faz muito mais sentido do que faria se eu estivesse numa boa empresa, com uma carreira corporativa sólida.

Só hoje consegui perceber como a Vida foi generosa comigo, apesar do preço que eu paguei pelas escolhas que fiz. Mas tudo deu certo! Como se a vida honrasse cada uma das minhas decisões.

Coisas que eu nunca imaginei aconteceram. Lugares que eu não ousava pensar que eram para mim, eu estive lá. E, ainda estou…

Em geral, somos míopes; talvez porque, a cultura imediatista em que estamos imersos faz com que não consigamos enxergar a longo prazo.

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Acho que, no fim das contas, a gente precisa queimar e renascer das próprias cinzas… como a Fênix da imagem deste post. Queimar, Renascer e Ir muito além do que uma versão passada de nós mesmos foi capaz de vislumbrar!

“É preciso ter um caos dentro de si para dar à luz uma estrela dançante.”

FIM!