O caos foi meu!

Existem caminhos que a gente não entende!

Evito de escrever esse tipo de texto, pessoal demais. Mas o blog é pessoal, então resolvi publicar!

Quando eu decidi voltar a estudar era para fazer alguma coisa que fizesse algum sentido pra mim; não trabalhar só pelo dinheiro! (ok, sou idealista!)

Mas, durante a graduação veio a pandemia – que já virou história – e com ela decisões que foram extremamente difíceis.

Voltei a lugares que jamais imaginei ter que voltar; lidar com gente que pensei que já fosse passado, mas ali estava, beeem presente!

Não foi uma, nem duas, nem três rasteiras! Foram várias. Uma atrás da outra!

Mas o que a gente decide de coração tem muita força!

E hoje, olhando para trás, vejo como minha vida faz muito mais sentido do que faria se eu estivesse numa boa empresa, com uma carreira corporativa sólida.

Só hoje consegui perceber como a Vida foi generosa comigo, apesar do preço que eu paguei pelas escolhas que fiz. Mas tudo deu certo! Como se a vida honrasse cada uma das minhas decisões.

Coisas que eu nunca imaginei aconteceram. Lugares que eu não ousava pensar que eram para mim, eu estive lá. E, ainda estou…

Em geral, somos míopes; talvez porque, a cultura imediatista em que estamos imersos faz com que não consigamos enxergar a longo prazo.

🍃

Acho que, no fim das contas, a gente precisa queimar e renascer das próprias cinzas… como a Fênix da imagem deste post. Queimar, Renascer e Ir muito além do que uma versão passada de nós mesmos foi capaz de vislumbrar!

“É preciso ter um caos dentro de si para dar à luz uma estrela dançante.”

FIM!

Análises Agroambientais

Nessa disciplina entendi melhor o que é Agricultura Familiar. Pode ser compreendida como uma instituição social que visa manter a reprodução da família, mas também é um termo genérico que incorpora múltiplas situações particulares, mantendo uma ordem tradicional que lhe define frente aos padrões globais de produção e consumo (Silva et al., 2021; IBGE, 2020).

Esses agricultores, familiares, são marcados por um patrimônio de saberes e práticas tradicionais que, em certa medida, se ajustam à modernidade; entretanto, não rejeitam suas raízes camponesas (Silva et al., 2021). “Esse tipo de agricultura reúne o maior número de unidades produtivas no País e contribui com parcela significativa de empregos associados às atividades agropecuárias, artesanais e agroindustriais a ele vinculadas, seja no campo ou na cidade” (IBGE, 2020, p. 292).

Como um sistema de reprodução social, promove diversas espacialidades e diversas temporalidades, permitindo a reprodução da família, mas não se limitando a ela, não só em termos econômicos, mas também culturais, visto que essa transmissão de saberes tradicionais proporciona a continuidade de práticas agrícolas harmoniosas com o meio ambiente (IBGE, 2020), podendo ser tipificada, segundo o IBGE (2020), em 3 categorias:

  • Família agrícola de caráter empresarial: tem produção rentável e voltada para o mercado;
  • Família camponesa: tem por finalidade a manutenção da produção agropecuária e da propriedade familiar, sem orientar a produção ao mercado;
  • Família agrícola urbana: possui um sistema de valores próprios, orientando a produção com foco na qualidade de vida, sem desmerecer a realidade de mercado nem os valores da família camponesa.

Porém, existe ainda um outro tipo de agricultura familiar que a princípio, na minha perspectiva, não se encaixa em nenhuma dessas 3 categorias acima descritas, sendo conhecida como coivara ou agricultura de corte e queima ou agricultura itinerante (Ferreira, Lima & Ribeiro, 2024; Marinho Luiz et al., 2020).

©️2026 Daniela Zago.
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Referências:
FERREIRA, R.; LIMA, E. & RIBEIRO, R. Transformando a floresta em comida: as roças de coivara e o manejo do fogo. HAAL 5: 1, Maio 2024, pp. 39-60
IBGE. Agricultura Familiar in Atlas do espaço rural brasileiro. Coordenação de Geografia. 2. ed. Rio de Janeiro, 2020.
MARINHO LUIZ, V.; MARINHO DA SILVA, L.; AMÉRICO, M.C.; FRANÇA DIAS, L.M. Roça é vida. IPHAN – Grupo de Trabalho da Roça. São Paulo, 2020.
SILVA, A. J.; BARBOSA, E. L.; SANTOS, L. P.; BRITO VIEIRA, V. C.; CHAVES, S. V. V.; SILVA JÚNIOR, F. J. Estratégias de reprodução socioeconômica da agricultura familiar no cerrado piauiense. Research, Society and Development, v. 10, n. 14, e388101422124, 2021.

Escolas Diferenciadas

Territórios Tradicionais, como os quilombos, são os espaços necessários à reprodução cultural, social e econômica de povos etnicamente diferenciados (Brasil, 2007); já se organizavam no Brasil desde o século XVI, junto à rebeliões e fugas (Maringoni, 2011).

Entretanto, foi apenas em meados do século XX que os quilombos foram reconhecidos, a partir de pesquisas cujas pautas se centralizaram na questão da etnicidade, que visam às identificações culturais de origens étnicas e raciais (Bezerra Carril, 2017), o que fortalece a ideia de que no Brasil o processo de conquista de direitos é sempre presente, e a luta por justiça e educação se remetem à história da formação social brasileira (Bezerra Carril, 2017).

Apesar de em 2025 o Brasil atingir a menor taxa de analfabetismo desde 2016, “o analfabetismo de pretos ou pardos com 60 anos ou mais é quase três vezes superior ao de brancos” (Brasil, 2025), demonstrando que a sociedade brasileira é estruturalmente racista e desigual.

Reforçando essa hipótese, historicamente, o negro no Brasil foi largado à própria sorte: “após a assinatura da Lei Áurea não houve uma orientação destinada a integrar os negros às novas regras de uma sociedade baseada no trabalho assalariado” (Maringoni, 2011).

Tampouco foi feito um esforço de integrá-los à educação, visto que “a educação brasileira alijou grande parcela da sociedade de um ensino público, gratuito e de qualidade, verificando-se ainda que o afrodescendente compõe, até os dias atuais, o maior número de estudantes que se evade da escolarização completa” (Bezerra Carril, 2017).

É nesse contexto que Bezerra Carril (2017) se propõe a pensar uma educação diferenciada, baseada “nos contextos de uso do território, da etnicidade e da memória presentes nas narrativas dos sujeitos no intuito de construir metodologias que proporcionem aprendizagens tendo como ponto de partida elementos referentes às realidades locais das comunidades”. (grifos meu)

Por tudo isso, propus analisar os dados do Censo Quilombola (IBGE, 2022) e os Microdados do Censo da Educação Básica, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep, 2025), para verificar a situação atual da educação quilombola em relação às escolas diferenciadas. Eis a análise:

Dados e Metodologia

  • Censo Quilombola, IBGE 2022, com a Tabela 10091 – Taxa de alfabetização da população, total e quilombola, de 15 anos ou mais de idade, por sexo, grupos de idade, localização e situação do domicílio e a variável Taxa de alfabetização das pessoas quilombolas de 15 anos ou mais de idade (%) – Total Urbano e Total Rural.
  • Censo Quilombola, IBGE 2022, com a Tabela 10089 – População residente, total e quilombola, por sexo e grupos de idade, segundo localização e situação do domicílio e variável Pessoas quilombolas – Total Urbana e Total Rural.
  • Censo Escolar, INEP 2025, com a Tabela Escola 2025 e a variável Materiais pedagógicos para a educação escolar quilombola – Instrumentos, materiais socioculturais e/ou pedagógicos em uso na escola para o desenvolvimento de atividades de ensino aprendizagem.

Essas tabelas estão disponíveis em seus respectivos sites, sendo disponibilizadas em arquivos .xlsx ou .ods ou .csv. A unidade de análise foram os Municípios do Brasil que possuem informação sobre a taxa de alfabetização quilombola. Todas as camadas de dados foram colocadas no Sistema de Coordenadas Geográfica, SIRGAS 2000 e os softwares utilizados foram o QGIS versão 3.40.15-Bratislava e Excel Microsoft Office Home 2024.

O arquivo das Escolas, disponibilizado pelo INEP, têm coordenadas geográficas, o que facilita subir o arquivo em Sistemas de Informações Geográficas e em seguida exporta-lo como shapefile. No caso das planilhas disponibilizadas pelo IBGE, os arquivos .csv foram unidos à malha cartográfica municipal (IBGE, 2025) pelo código do município nas propriedades da camada, sendo, neste último caso, retiradas as feições com NULL, utilizando a expressão ‘valor’ is not null. Em relação aos dados da Tabela 10089 – Pessoas Quilombolas – foram analisados os mesmos municípios que têm taxa de alfabetização; para isso foi feita uma busca por seleção, parâmetro equal

Resultados e Discussão

A população quilombola residente no Brasil é de 1.330.186 pessoas (IBGE, 2022). Entretanto, para este trabalho apenas os municípios que têm taxa de alfabetização quilombola foram analisados, totalizando 93.037 quilombolas residentes, sendo divididos entre População Quilombola Rural e Urbana. A seguir, o gráfico 1 mostra tais populações:

Gráfico 1: População quilombola brasileira – Rural e Urbana
Fonte: Censo IBGE 2022 | Elaboração própria

População Quilombola Urbana

Em relação à taxa de alfabetização de pessoas quilombolas em ambientas urbanos, temos os seguintes valores:

  • Valor mínimo: 25%
  • Valor máximo: 100%
  • Média: 92,23%
  • Mediana: 100%
  • Amplitude: 75
  • Valores faltantes: 243 de um total de 510 municípios.

Sendo que a maioria dos municípios com essa informação disponível estão na classe entre 85 e 100% da população alfabetizada (figura 1).

Figura 1: Taxa de alfabetização quilombola por município/Brasil – Urbano
Fonte: Censo IBGE 2022 | Elaboração própria

Em relação à população quilombola em ambiente urbano, os valores são os seguintes (figura 2):

  • Total: 37.360
  • Valor mínimo: 1
  • Valor máximo: 4.851
  • Média: 102,63
  • Mediana: 9
  • Amplitude: 4.850
  • Valores faltantes: 146 de um total de 510 municípios
  • Assimetria: 8.10 – indicando que os valores estão bem abaixo da média.
Figura 2: População Quilombola e Taxa de alfabetização quilombola por município/Brasil – Urbano | Fonte: Censo IBGE 2022 | Elaboração própria

População Quilombola Rural

A taxa de alfabetização de pessoas quilombolas em ambientes rurais, seguem os seguintes valores:

  • Valor mínimo: 25%
  • Valor máximo: 100%
  • Média: 88,01
  • Mediana: 100%
  • Amplitude: 75
  • Valores faltantes: 229 de um total de 510 municípios.

Sendo a maior parte dos municípios concentrados na classe de 80 a 100% (figura 3):

Figura 3: Taxa de alfabetização quilombola por município/Brasil – Rural
Fonte: Censo IBGE 2022 | Elaboração própria

Em relação à população quilombola em ambiente rural, seguem os valores (figura 4):

  • Total: 55.677
  • Valor mínimo: 1
  • Valor máximo: 4.491
  • Média: 137,13
  • Mediana: 8,5
  • Amplitude:  4.490
  • Valores faltantes: 104 de um total de 510 municípios
  • Assimetria: 6,09 – indicando que os valores estão abaixo da média.
Figura 4: População Quilombola e Taxa de alfabetização quilombola por município/Brasil – Rural | Fonte: Censo IBGE 2022 | Elaboração própria

Escolas Diferenciadas

Em relação às escolas, no total são 214.192 localizações distribuídas pelo Brasil inteiro. Porém, dessas, apenas 1.941 têm materiais pedagógicos para uma educação quilombola diferenciada.

Contudo, como se trata de localização, vários pontos caem fora da fronteira brasileira; por isso, foi feito uma busca por localização para analisar apenas as escolas que estão dentro do limite brasileiro; parâmetro usado are within, resultando em 1.519 escolas com materiais diferenciados para quilombolas (figura 5).

Entretanto, sendo a unidade de análise os municípios que possuem taxa de alfabetização, foi feito ainda uma nova busca por localização para verificar quantas escolas diferenciadas estão dentro dessas unidades de análise, resultando em 159 apenas (figura 6); em relação aos municípios com escolas diferenciadas, são apenas 85 (figura 7).

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Discussão

Em relação às taxas de alfabetização não existem grandes diferenças. A maioria dos municípios tem taxa de alfabetização entre 80 e 100%, indicando que a população quilombola é, em grande parte, alfabetizada, tanto em ambiente urbano como em ambiente rural.

No que diz respeito à população desses municípios, em ambiente rural, a maioria se concentra nas 4 primeiras classes, até 845, indicando que as comunidades são pequenas (figura 4). Já a população quilombola urbana tem sua grande maioria na primeira classe (figura 2) até 46, indicando que as comunidades são ainda menores. A seguir, os histogramas das populações quilombola rural e urbana ilustram tais distribuições – gráfico 2 e 3.

Gráfico 2: Histograma – População Quilombola Rural
Fonte: Censo IBGE 2022 | Elaboração própria
Gráfico 3: Histograma – População Quilombola Urbana
Fonte: Censo IBGE 2022 | Elaboração própria

Apesar das populações analisadas em sua maioria serem alfabetizadas, há indícios de que essa alfabetização não segue o modelo proposto de educação diferenciada, visto que, com base nas figuras 6 e 7, há poucas escolas com materiais diferenciados para educação quilombola, e apenas 85 municípios com a presença delas. Somando as populações desses municípios, há um contingente de 38.338 quilombolas em municípios com taxa de alfabetização que possuem escolas diferenciadas.

Considerando o universo inicial da análise, 93.037 quilombolas, em torno de 41% deles residem em municípios com escolas diferenciadas; sem levar em consideração o trajeto dessas pessoas a tais escolas, já que não foi contemplada nesta análise a localidade das escolas em relação à localidade das comunidades.

Considerações finais

O trabalho trouxe à pauta um tema relevante para a educação do país, em específico para a educação da população quilombola brasileira. Todavia, trata-se de uma análise exploratória que levanta questões a serem melhores analisadas em trabalhos futuros. Ainda assim, mostrou-se relevante ao tema, apontando que a educação diferenciada busca alcançar as comunidades quilombolas.

©️2026 Daniela Zago.
Todos os direitos reservados.

Referências:
BEZERRA CARRIL, L.F. Os desafios da educação quilombola no Brasil: o território como contexto e texto. Revista Brasileira de Educação. v. 22, n. 69, abr.-jun. 2017
BRASIL. Decreto nº 6.040, de 7 de fevereiro de 2007. Institui a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 07, dez. 2007. Disponível em: < https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/decreto/d6040.htm > Acesso em: 25/06/2026.
BRASIL. Secretaria de Comunicação Social. EDUCAÇÃO – Brasil atinge, em 2025, a menor taxa de analfabetismo do país desde 2016, início da série histórica. Disponível em < https://www.gov.br/secom/pt-br/acompanhe-a-secom/noticias/2026/06/brasil-atinge-em-2025-a-menor-taxa-de-analfabetismo-do-pais-desde-2016-inicio-da-serie-historica > Acesso em 25/06/2026.
IBGE. Malha Municipal. Disponível em < https://www.ibge.gov.br/geociencias/organizacao-do-territorio/malhas-territoriais/15774-malhas.html > Acesso em 22/06/2026
IBGE. Quilombolas: Principais características das pessoas e dos domicílios, por situação urbana ou rural do domicílio: Resultados do Universo 09/05/2025. Disponível em < https://censo2022.ibge.gov.br/panorama/downloads.html?localidade=BR > Acesso em 22/05/2026
IBGE. O Brasil Quilombola – Primeiro Censo Quilombola. Disponível em < https://www.ibge.gov.br/brasil-quilombola/ > Acesso em 23/06/2026
INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Censo Escolar 2025. Disponível em < https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/pesquisas-estatisticas-e-indicadores/censo-escolar/resultados > Acesso em 23/06/2026
MARINGONI, G. História – O destino dos negros após a Abolição. Ipea – Desafios do desenvolvimento. Ano 8. Edição 70. 29/12/2011. Disponível em < https://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_content&id=2673%3Acatid%3D28 > Acesso em 25/06/2026.

Calmaria I

Se você me acompanha, sabe que desde o fim do ano passado entrei numa calmaria que quase nem escrevi a reflexão de fim de ano. Eu achava que esse silêncio por dentro fosse um momento de parada! Reajuste de rota, inação; mas não!!

Na verdade se trata de um momento (ou uma nova fase?) de ação completa. É até difícil expressar em palavras, acho que só quem passou por isso sabe o que é 🤷‍♀️

Assim, decidi escrever um texto que há anos pensei de escrever. Acredite! Devido ao trabalho de pesquisa da escrita, acabei desistindo!! Já essa nova fase, no entanto, me fez perceber que existem trabalhos que valem a pena ter!

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Quando estava na UFABC cursei uma disciplina chamada História da Ciência no Brasil e a profa., ao invés de partir dos cânones do pensamento científico (que são centralizados no pensamento europeu), partiu de uma perspectiva Latino Americana de ciência, desde a chegada dos portugueses.

⚠️ Antes de continuar, deixo claro que este texto é um recorte da disciplina que, por sua vez, é muuuito maior que este post!⚠️

Primeiro, definiu-se os 4 pilares da ciência, ou do fazer científico que aqui funciona quase como a ciência em si:

1. Ciência como produção de conhecimento
2. Comunidade científica
3. Conhecimento humano
4. Política científica

Partindo sempre do princípio de que quem faz ciência acaba definindo muita coisa sobre a ciência feita! Ou seja, os agentes das práticas científicas definem as práticas envolvidas no processo científico, o que impacta diretamente nos seus resultados! É dividida em 3 fases:

Ciência AntigaRevolução CientíficaCiência Moderna

Foi na revolução científica que surgiram nomes como Da Vince, Copérnico, Galileu, Francis Bacon e tantos outros.

Nesse contexto é importante saber que não se faz ciência ‘sozinho’. Esses nomes ganharam notoriedade por coisas que eles em conjunto com outros contemporâneos a eles, ou mais antigos, já estavam estudando.

É daí que vem aquela frase super famosa do Newton: “Se enxerguei mais longe foi por estar nos ombros de gigantes” 🙄 quer dizer, não se faz ciência tirando da cartola; se faz a partir do conhecimento acumulado de outros que nos antecederam.

Lembre-se, um dos pilares da ciência é a produção de conhecimento!

E é aqui que meu texto começa de verdade! 🤣 após todo esse preâmbulo, gostaria de (re)começar dizendo que já existia produção de conhecimento nas terras em que os portugueses chegaram em 1500.

🏹

E quem dá base para essa afirmação é uma historiadora chamada Daniela Buono Calainho, em um artigo no qual ela conta um pouco sobre os Jesuítas e Medicina no Brasil Colonial. A seguir, exponho um pouco do texto dela:

No referido texto, a autora explora a chegada do portugueses no Novo Mundo e conta como as doenças trazidas por eles dizimaram as populações residentes. Além disso, fala também sobre como os gentios (nas palavras da autora) eram vistos como brutais e animalescos por serem integrados àquela natureza estranha – de novo, nas palavras da autora!

Apesar dessa percepção demoníaca que os jesuítas tinham dos originários, “levaram para a Europa o conhecimento das virtudes terapêuticas de raízes, caules, folhas, cascas, sumos, polens, minerais e óleos, a exemplo da quina, planta da região da Amazônia, que curava a malária e era conhecida como ‘mezinha dos padres da Companhia de Jesus'”.

A ipecacuanha também já era era conhecida pelos nativos como uma erva excelente para problemas respiratórios e teve suas virtudes divulgadas na Europa em 1625, por meio de um manuscrito de autoria do Padre Fernão Cardim.

Já o “Padre Manoel da Nóbrega, por exemplo, remeteu a Portugal algumas conservas de efeito terapêutico, como suco de ananás verde, para ‘pedras e areias na urina’, recomendando que viessem ao Brasil os que deste mal sofressem”. Talvez venha daí nossos sucos detox, quem nunca tomou um suco verde!? 🙃

🍃

Outro recorte da disciplina para este texto, e que já naquela época me chamou a atenção, é a Comissão Rondon, datada do século XX, visava à exploração científica do Brasil por brasileiros, incluindo indígenas que “funcionariam como guias, remadores de canoas e auxiliares nos serviços de derrubada da mata e instalação dos postes telegráficos”.

No que diz respeito à exploração científica, a expedição foi bem sucedida, mas também foi um perrengue só 😅 sumiços, mortes, doenças, calor, animais peçonhentos, desistências… uma verdadeira aventura!! Se quiser saber mais, leia: Telégrafos e inventário do território no Brasil: as atividades científicas da Comissão Rondon (1907-1915).

Para terminar, tenho a sensação de que a Física não é exatamente a ciência mais amada de todas; entretanto, aprendemos que existe um fenômeno óptico, chamado refração da luz, que ocorre quando a luz sofre mudança do meio de propagação. Olha que interessante, para serem bem sucedidos na pesca, os indígenas sempre souberam disso, apesar de certamente desconhecerem as fórmulas envolvidas…

Indígena pesca em área preservada na região central da Amazônia - FAPESP

Fonte da imagem: Revista Pesquisa FAPESP

Por fim, concluímos que já existia produção de conhecimento nas Novas Terras. O que não existia era a sistematização desse conhecimento que, hoje em dia, é fundamental na prática científica.

➡️ A produção de conhecimento não é exclusiva desse modo ‘moderno’ de fazer ciência. Ainda hoje, existe conhecimento produzido por populações tradicionais, como o Manual dos remédios tradicionais Yanomami, só para dar um exemplo.

Teremos o texto Calmaria II porque é impossível falar tudo o que tenho em mente em um post só.

Se você sabe muito sobre Ciência no Brasil a partir de uma perspectiva Latino Americana e encontrou algum erro, me deixe saber!

Até breve! E me ajude a divulgar o blog 🥰

Modelos de maternidade

Esses dias ouvi um grito de socorro, uma voz de menina gritando ‘eu preciso de ajuda’. Tinha acabado de colocar roupa, saindo do banho, de cabelo molhado num início de noite que marcava 13°C 🌨️

Saí correndo, peguei a chave do portão e fui ver se poderia ajudar de alguma forma.. a única coisa que pensei foi: se ela tá gritando, ele não tá armado. E fui!

Cheguei na rua, um pouco abaixo da minha casa, estava uma menina no chão; sendo socorrida por uma mulher que esperava a filha e a sobrinha saírem da escola, estava falando com o resgate.

O nome da acidentada era Amanda e ela perdeu o equilíbrio descendo minha avenida de skate; o pé esquerdo estava visivelmente quebrado.

Ela queria a mãe dela. Tinha apenas 15 anos! Fui correndo pegar meu celular pra ligar pra mãe dela.

Um rapaz que também esperava alguém sair da escola foi buscar a mãe. Uma meia hora depois, o rapaz voltou com a mãe da Amanda. Estávamos todos aguardando o resgate.

A mãe chegou, de all star preto, jaqueta jeans com moletom preto de touca por baixo, disse boa noite para todos e foi ao encontro da filha caída no chão, que estava consciente, oferecendo bala que tinha no bolso.

Conversou um pouco com a filha, acalmou dizendo não tem problema, filha… que, por sua vez, já nos avisara que não pararia de andar de skate.

Após acalmar a menina, a mãe vira para nós e pergunta, vocês acham que ela vai parar de andar de skate?

Claro que não!! Ela já disse que vai continuar! Olhei para a mãe e disse: uma mãe cabeça aberta e ela me respondeu: sou mesmo!

“Isso acontece! Estava de skate, caiu, quebrou o pé, encontrou vocês.. mas ter vindo sozinha foi um erro, de dia com os amigos é uma coisa, essa hora, sozinha, quem que você vai encontrar lá?! (olhando para a menina)”

Pouco tempo depois, a ambulância chegou e elas foram!

🍃

Instantaneamente eu amei aquela mãe! Descolada, cabeça aberta e encarando a vida de frente. Um modelo de mãe que, de repente, eu me encaixaria!!!

Se ouvir um pedido de socorro, atenda! 💗

FIM!