Nur, luz em árabe

Uns tempos atrás escrevi um texto sobre “o lugar da natureza”, no qual expus duas vertentes econômicas relacionadas ao Meio Ambiente. Logo que eu soube do nascimento da Nur, a filhotinha de urso polar que nasceu em SP, lembrei do meu texto, porque é um exemplo prático da vertente neoliberal que impera no mundo contemporâneo..

“No paradigma atual (o neoclássico), a natureza é só recurso. Quando acaba em um lugar, logo encontra-se outro lugar para explorar, mesmo com impactos ambientais conhecidos e irreversíveis”

Essa ideia serve para a questão da Nur também. Podemos não agir pela preservação do habitat dela, afinal, com o investimento de alguns milhares, ou até milhões, de reais é possível que um animal polar nasça em baixas/médias latitudes.

Se você não sabe onde fica a região polar, coloquei um mapa de lá pra te ajudar a se localizar… (a propósito, a projeção é a azimutal 🫣).

Fonte: Atlas Escolar IBGE

Essa filhotinha nasceu em cativeiro porque seus pais não tiveram a chance de aprender a sobreviver no habitat natural deles.

“A região ártica, uma das mais frias do planeta, abrange alguns países como o Alasca nos EUA, Canadá, Groenlândia, Dinamarca, Islândia, Sibéria, Suécia, Noruega, Finlândia e Rússia. Grande parte da região (cerca de 60%) é formada pelo Oceano Ártico (ou Mar Ártico) que permanece congelado quase o ano todo sendo formado por icebergs e grandes blocos de gelo, e o restante (cerca de 40%) são as ilhas do ártico cuja maior delas é a Groenlândia.” Fonte: Toda matéria

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Se as coisas no Planeta estivessem de acordo com as leis do Universo, jamais existiria uma ursa polar brasileira.. mas claro, um nascimento é sempre uma benção!! Não tem como não amar a filhotinha com a mãe dela, Aurora.. enfim! Só quis trazer esse texto para exemplificar a ideologia econômica na qual estamos imersos.

Mesmo que se destrua tudo, ainda teremos soluções tecnológicas para avançarmos. Essa é a questão. Mesmo que os animais vivam em aquários climatizados para sempre… bom, pelo menos estão bem cuidados, né?! 🪼

“do pó viemos, ao pó voltaremos”

Recomendações para saber mais:

Até breve!! ✨🐻‍❄️

Você sabia??

Este post é um relato do que aconteceu comigo um tempo atrás; não foi planejado porque eu achava que era bobeira falar sobre isso… mas, acabei considerando importante trazer como pauta do blog para refletirmos sobre nossa percepção de mundo…

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A UFABC, em Santo André, fica à margem do Rio Tamanduateí que é canalizado e sujo – como praticamente todos os rios urbanos são.

Eu estava caminhando para a Universidade, passei pela ponte e vi uma família de capivaras no rio, parei para olhá-las um pouco na natureza – ainda que uma natureza imunda como o rio está…

Aí, uma senhora parou com a filha dela e elas começaram a conversar entre si (e eu ouvi a conversa 🤷‍♀️), estavam falando sobre a Filó que era tão bem tratada e foi alvo daquele bafafá, teve que voltar para a natureza; e olha só essas daqui (as capivaras que estavam no rio) “todas largadas nessa sujeira” (…) “olha aquela ali” – apontando uma delas que estava com um passarinho pousado nas costas.

Depois de tempinho, fomos todas embora e eu fiquei pensando sobre a conversa que eu ouvi 😏 me julgue!!

A reflexão é: Animais silvestres não devem ser mantidos como pet.
Capivaras são animais silvestres.

Logo, capivaras não devem ser mantidas como pet.

Só que a gente não entende isso. A gente não entende que o rio é o habitat das capivaras, porque ele se tornou depósito de rejeito, de lixo, nosso lixo. A gente não consegue conceber o rio como lar, como fonte de alimento, porque não estamos educados para isso. Nós compramos peixes como se eles fossem produzidos em fábricas.

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Tudo isso para dizer que a domesticação é um processo biológico que leva milhares de anos. Eu não sou da área de biológicas, mas o intuito do blog é Valorar Ideias, por isso decidi trazer à reflexão esse tema.

Há indícios de que o processo de domesticação de fauna e flora começou no período neolítico. A domesticação da flora permitiu que a agricultura se expandisse, possibilitando a troca, ou comércio – se preferir, entre os povos.

Os nossos queridos cachorros – aqueles que a gente não merece – são descentes de lobos, domesticados há +- 30 mil anos. Por isso se diz: animal silvestre não é pet 🐶

Se uma pessoa quer um animal silvestre, ela precisa de autorização para manter esse tipo de animal em casa. E sim, existe legislação para isso. LEI Nº 9.605, DE 12 DE FEVEREIRO DE 1998, que Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências.

Em seu Capítulo 5 – DOS CRIMES CONTRA O MEIO AMBIENTE – Seção I – Dos Crimes contra a FaunaArt. 29: Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida: Pena – detenção de seis meses a um ano, e multa.

Enfim, o lugar das capivaras é no rio. A gente que deveria exigir que o rio fosse limpo e saudável para que o nosso meio ambiente urbano fosse mais agradável e os animais silvestres pudessem viver livremente… sobre a Filó, nem falo nada. Fica aí a reflexão para sua própria conclusão!!

Até mais!

Microplástico

Que o consumismo é a base da sociedade contemporânea, nós já sabemos. E, este post não é apenas a “parte 3” do consumo te consome; ele é, também, uma provocação…

Vem comigo 🙃

Existe uma coisa em comum em, praticamente, TUDO o que compramos. O que é? Pense um pouquinho antes de continuar a leitura…

Acertou se você pensou plástico! Sim, se você reparar, 98% (chute meu) das coisas que compramos tem plástico em sua embalagem e/ou em sua composição. E o problema disso são os microplásticos. Entretanto, apesar de ser o nome do post, não é bem sobre isso que quero falar…

Porque, quando a gente ouve sobre o problema dos microplásticos, ou assiste vídeos de tartarugas comendo sacolas plásticas, a gente acha que o problema está lá, em algum lugar longe da gente. Como se meio ambiente fosse onde a gente não está…

Porém, quem acompanha o blog sabe que ambiente é tudo e, mesmo geograficamente longe, pode, e provavelmente, nos afeta, porque o Planeta é um sistema fechado e não tem para onde sair..

Sendo assim, minha ideia foi trazer a questão plástico de um modo diferente; a partir da perspectiva econômica ou, se você preferir, a partir da perspectiva do mercado, esse ente que dita as regras do jogo, mas nunca ninguém nem viu… só é amplamente sabido quando o mercado reagiu, não gostou, aprovou… enfim. Não sei se você sabe, mas a base da economia é o petróleo!

O Reciclarte é informação!! 🤩

E os plásticos com isso? Os plásticos são derivados do petróleo e são as indústrias petroquímicas que viabilizam os processos de transformação. Como já refletimos por aqui, somos livres na proporção das opções que temos para escolha.

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Há registros do petróleo nas sociedades humanas desde a antiguidade 😮 no entanto, a moderna indústria petrolífera ganhou ‘importância’ em meados do século XIX, com a revolução industrial.

E, hoje em dia, é a base do capitalismo financeirizado. Visto que está presente em coisas que nem imaginamos 😱 dá uma olhada na imagem abaixo:

Fonte: Panorama do refino e da Petroquímica no Brasil.
NOTA TÉCNICA DPG-SPT Nº 04/2018

Se você reparar nas embalagens que você tem em casa, praticamente TODAS elas tem um símbolo semelhante a esse:

Que nada mais é que o tipo do plástico da embalagem. Se você se atentar às etiquetas das roupas que, em geral, a gente compra, elas podem ser 100% poliéster. Dá um google em poliéster…

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Mas claro, a ideia proposta é o da escolha sustentável, do consumo consciente… e, como refletiu Bauman, “pessoas sem dinheiro, cartões de crédito e/ou entusiasmo por compras e imunes aos afagos do marketing são consumidores falhos”, porque o valor da sociedade contemporânea está no ato de comprar, já que nunca estamos satisfeitos… e,

se você não sabe o que te satisfaz, não existe o que te satisfaça!

Sempre queremos mais, mais e mais… pessoalmente, também acredito que falte um pouco de autoconhecimento nessa história toda. Estamos tão distantes de nós mesmos que não sabemos do que precisamos; o que realmente queremos? Enquanto isso, há bilhões de pessoas no mundo sem acesso ao básico. E, assim, alimentamos a engrenagem…

“Somos como borboletas que voam por um dia e acham que é para sempre”🍃

A vida é breve! E tempo é tempo de Vida!

Enfim! Complexo e um pouco desolar… mas, seguimos firmes ✊ os artigos que deram base para esta escrita foram:

Por hoje é isso! Até mais!!

Unidade de Conservação da Natureza

Este post está dividido em duas partes: na primeira, discorro sobre Unidades de Conservação da Natureza e, na segunda, compartilho um pouco da visita de campo que fiz no Parque Estadual de Intervales com o pessoal da universidade.

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Começo dizendo que a denominação ‘parque’ já indica uma Unidade de Conservação… desde o curso técnico eu já conhecia o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da NaturezaSNUC – legislação em vigor que Regulamenta o art. 225, § 1º, incisos I, II, III e VII da Constituição Federal, institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza e dá outras providências.

Se você conhece o blog, sabe que não tenho a intenção de falar de leis por aqui; mas, é preciso saber que elas existem, uma vez que as definições com as quais trabalhamos são definidas por elas…

Assim, de acordo com a referida lei, unidade de conservação é o espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivos de conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção.

Entretanto, existem ainda outras áreas de proteção ambiental que não estão no arcabouço previsto no SNUC, sendo elas:

A legislação que regulamenta as categorias áreas de Preservação Permanente e as áreas de Reserva Legal é a LEI Nº 12.651, DE 25 DE MAIO DE 2012.

🍃 voltando ao SNUC…

As unidades de conservação integradas a ele, dividem-se em dois grupos com características específicas:

  • Unidades de proteção integral – que tem por objetivo básico preservar a natureza, sendo admitido apenas o uso indireto dos seus recursos naturais, com exceção dos casos previstos no SNUC.
  • Unidades de uso sustentável – que visa compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela dos seus recursos naturais.
Categorias que integram as unidades de Proteção Integral:Categorias que integram as unidades de Uso Sustentável:
Estação Ecológica; Reserva Biológica; Parque Nacional; Monumento Natural; Refúgio de Vida Silvestre.Área de Proteção Ambiental; Área de Relevante Interesse Ecológico; Floresta Nacional; Reserva Extrativista; Reserva de Fauna; Reserva de Desenvolvimento Sustentável; Reserva Particular do Patrimônio Natural.
Cada categoria tem suas restrições e permissões, vide SNUC. Todas as que estão denominadas ‘Nacional’ podem ser também denominadas ‘Estadual’ ou ‘Municipal’, a depender do poder público que a instituiu.

Parece uma coisa bem simples, né? Mas, na verdade, é bem mais complexo do que imaginamos, já que se trata de um território que, em geral, está em disputa, visto que as noções de território cabem em três dimensões: política, cultural e econômica, além da naturalista (leia o post território para saber mais).

Para demonstrar de maneira bem simplificada o que seria um ‘território em disputa’, fiz umas imagens para te mostrar como que em uma Área de Proteção Ambiental, classificada como uso sustentável, pode existir diversos atores atuando ao mesmo tempo de forma bastante ativa e, por vezes, controversa.

Como podemos ver, existem diversos interesses atuando em um ‘único lugar’ e eu nem achei dados atualizados sobre as populações que vivem nesses territórios 😧

Bom, essa primeira parte termina por aqui.. temos a segunda página do post sobre a visita de campo…

As informações sobre os dados que utilizei você encontra aqui. Saiba a diferença entre Água Mineral e Água de Mesa. E, para saber mais, leia os artigos: APA Sistema Cantareira, Cantareira, Serviços Ecossistêmicos e a produção de água no Sistema Cantareira.

Principais ameaças aos polinizadores e à polinização

Eiiiita que demorou mas saiu… confesso, além de priorizar tarefas e prazos, prezo também pelo ócio 🦥 aliás, o ócio é um tema a ser valorado nessa correria do dia a dia, não é mesmo?? penso que seja o princípio da saúde mental… mas, vamos à reflexão de hoje…

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Este texto é a continuação do post anterior, no qual propus uma reflexão acerca da importância da polinização. Agora, minha intenção é abordar as principais ameaças aos polinizadores e, em consequência, à polinização, base da biodiversidade, conforme exposto anteriormente…

De acordo com o relatório base deste post, os fatores que podem representar ameaças ao polinizadores e à polinização são múltiplos, destacando-se os fatores ambientais e biológicos:

AmbientaisMudanças no uso da terra, agricultura intensiva e de larga escala, uso indiscriminado de agrotóxicos, poluição ambiental e mudanças climáticas globais.
BiológicosEspécies invasoras, efeitos indiretos do uso de organismos geneticamente modificados, pragas e patógenos, e, ainda, a interação entre eles.
Fonte: Relatório BPBES

Esses aspectos descritos são uma generalização das ameaças recorrentes aos polinizadores e à polinização, sendo as mais mais significativas relacionadas à fragmentação e perda de habitat, além do uso de agrotóxicos.

Infelizmente, desde a revolução verde, o uso de agrotóxicos é amplamente aceito e indiscriminado; fazendo com que tal prática seja normatizada e aprovada socialmente, como se fosse inofensiva… assim, o tema agrotóxico acaba sendo abordado de maneira muito superficial, como se não fosse de interesse público e, mais, relacionado à saúde pública além de ser um assunto que esbarra em interesses políticos super consolidados…

Uma loucura!!! 🤯 mas vamos pra frente…

Na pesquisa que fiz para este post e o anterior, encontrei um artigo super interessante que fala sobre como os campos eletromagnéticos de frequência extremamente baixa podem afetar a orientação cognitiva e motora das abelhas, fazendo com que elas percam sua habilidade de aprendizagem olfativa, o que prejudica seu senso de orientação geográfica em busca de alimento, além de impactar na comunicação com a colônia e até a polinização de plantações…

Eu não sei como isso soa para você, mas para mim é muito louco saber que a influência antropogênica contribui diretamente para esses impactos todos… acho interessante pensar em como o nosso modo de vida contemporâneo se tornou tão nocivo à Vida na Terra 🤔 parece até incompatível em certa medida…

O problema é tão sério, e desconhecido por nós leigos, que existem até iniciativas que visam ações e políticas destinadas à conservação dos polinizadores, propondo, inclusive, a implementação da Política Nacional de Uso e Conservação da Polinização e dos Polinizadores no âmbito da Política Nacional de Meio Ambiente.

É claro que no âmbito político o consenso acerca de um problema é bem diferente do consenso acerca de um problema ecológico… mas, esse imbróglio fica para outro dia e outro post…

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Acaba sendo urgente que se pense uma agricultura mais sustentável, alinhada aos princípios agroecológicos com métodos alternativos no controle e manejo de pragas, recuperação das áreas naturais e, claro, cidades mais verdes e acolhedoras 😍 enfim. A teia da vida é complexa demais para caber numa única reflexão de blog. hahaha

Já me encaminhando para o fim, informo que o próximo texto será sobre Unidades de Conservação da Natureza e escreverei sobre uma visita de campo que fiz em Intervales… Se você quiser saber como sistemas agroflorestais biodiversos conservam polinizadores, click aqui.

Por ora, quero finalizar este texto dizendo que quanto mais eu estudo, mais me convenço de que estamos muuuuito longe das leis que regem a Vida na Terra.

A humanidade é parte de um todo muito maior e muito mais complexo que, por vezes, desconhecemos quase que por completo… por hoje é isso!! Tchau! 💚