Eis que aqui estamos, com mais um post não planejado 😎 a vida como ela é. pelo menos a minha é. um susto, muitas vezes.
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pensei muito sobre a situação dos Yanomami e o que me ocorreu foram dúvidas. muitas dúvidas!
como que a gente fala para as pessoas que Vida vale mais do que dinheiro? será que isso deveria ser óbvio? ou será que realmente há quem ache que o garimpo ilegal é mais importante do que todo um povo?
me impressiona tamanho descaso com o povo originário. tem gente que põe a mão e quebra. destrói. mata, de fome, de água contaminada. mata rio por causa de ouro. de dinheiro. de ambição desmedida. e com o rio morto, morre também o sustento de uma população.
o país do ‘deus acima de tudo’ se esqueceu de falar que os deuses foram forjados à sua imagem e semelhança… 🙄
se um Criador existe não é esse miserável que muitos creem. a vida deveria ser algo a ser valorado com mais estima.. e isso é só o óbvio mesmo. mas estamos na era de ter que dizer o óbvio…
se a dor do outro não te comove nenhum pouquinho, o seu problema é pior que o dele 🤕
no fim das contas, eu aprendi a desapegar de tentar convencer quem pensa diferente de mim que a vida é valor inestimável. quem quiser ler, que leia e quem quiser se achegar, que se achegue.
são os semelhantes que se atraem e chegou a hora de deixar o rio da vida fluir e nos unir. não há nada mais desprezível do que negligenciar o sofrimento de um ser vivente.
próximo texto voltaremos à programação normal deste blog.
Este post trata de uma experiência pessoal, além, é claro, do conteúdo informativo… Em 2017 fiz cursinho para prestar os vestibulares e foi uma experiência muito boa; muitos estudos, ansiedade, expectativas e deu tudo certo! 🥰
Na época, tivemos a oportunidade de visitar a Aldeia Krukutu no extremo sul da cidade de São Paulo, fronteira com São Bernardo do Campo, no ABC Paulista! Isso mesmo! Existe uma aldeia indígena na região metropolitana de SP e é sobre isso que pretendo te contar hoje…
Fotos de acervo pessoal. Um obrigada especial a Aline Viana da Silva que, tão gentilmente, compartilhou comigo algumas de suas fotos da visita à aldeia.
Foi uma experiência muito marcante para mim… eu não imaginava, na verdade, nem passava pela minha cabeça como poderia ser a vida numa aldeia, ainda mais em São Paulo. Quando pensava em ‘índios’, pensava na Amazônia e outros lugares remotos, quando eu soube que havia uma aldeia bem ‘aqui, pertinho de mim’ (estou em Santo André, no ABC Paulista), eu quase nem acreditei… 🫢
O caminho para a aldeia já parecia que não era SP… estou acostumada com a urbanização, aquele caos que conhecemos bem (ou não) e lá, em Parelheiros, as coisas são bem diferentes do que estou acostumada. Não foi difícil perceber que um ‘lugar remoto’ não é exatamente um lugar longe mas, sim, um lugar distante nos hábitos, nas crenças, nas interpretações que se faz do mundo ao redor de si e da natureza.
Temos a tendência de olhar pro Outro como se ele fosse uma extensão de nós, como se ele não tivesse sua própria subjetividade constituinte. A vida que valoramos, geralmente, é a vida daquele nosso semelhante. O outro desconhecido parece que não vale o mesmo…
E assim, o que desconhecemos se torna não valioso…
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Mas o fato de desconhecer não significa que não seja valioso. Uma vez eu li um livro e o autor dizia: ‘imagina uma ilha, essa ilha é a ilha do conhecido; ela tem uma borda, o oceano do desconhecido. quanto mais você aumenta a sua ilha do conhecido, maior fica borda do oceano do desconhecido. é sempre proporcional’. Essa ideia impregnou em mim. Não me lembro mais de que livro foi, nem o autor, nada… mas fica aí a reflexão.
A vida se desdobra de muitas formas. Existem muitas maneiras que nós desconhecemos de encarar a vida. Mas isso não significa que não sejam legítimas, vívidas e o mais importante, importante para alguém. Um outro para nós…
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Somos ensinados que o Brasil foi descoberto em 1500 e, em geral, não somos educados a pensar criticamente essa dita ‘descoberta do Brasil’. Aliás, nem nos falam (ou não falavam na minha época) que, na verdade, a terra de chegada dos viajantes portugueses era Pindorama, nome dados pelos povos nativos 🏹
O marco temporal, pauta em evidência nos últimos tempos, mostra o quanto os interesses econômicos se sobrepõe a direitos originários; e também expõe a habilidade em se fazer Senhor dos outros, mesmo que os Outros sejam em si mesmo alguém que o senhor desconhece. E ainda há quem questione os ‘direitos humanos’.
Uma vez eu li/ouvi que as regras existem porque falta bom senso! De fato! Jamais esquecido!
Voltando à aldeia Krukutu, foi de lá que saiu o primeiro rapper solo indígena do Brasil: