Nessas férias, assisti um debate sobre feminismo, visando saber o que se tem falado a respeito do tema, já que não sou da área mas sou uma mulher num mundo de homens ✊🏻
Uma das pautas colocadas foi a questão do feminismo junto às pautas LGBTQIA+ e, uma das participantes disse que “isso é só uma teoria”. Bom, no fim do debate concluí que, aparentemente, não se sabe o que é uma teoria em Ciências Sociais e este post tem por objetivo esclarecer isso!
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Para responder a pergunta do título deste texto é preciso perguntar antes, o que é a realidade? Seria a mesma para mim e para você? Será que nossas realidades são iguais às das pessoas que nasceram na região Norte ou Nordeste do Brasil? Ou seria a mesma das pessoas da parte Sul do País? Ou até de outras regiões do mundo?!
Quando acordamos de manhã e abrimos os olhos, instantaneamente a realidade está lá, sem ser questionada. Apenas se apresenta na repetição de todos os dias… temos nossa vida que achamos ser real; e, por conseguinte, medimos os outros com nossas medidas, ignorando que eles têm suas próprias medidas baseadas em suas próprias realidades 🤯
Para não deixar a pergunta sem resposta, já vou dar logo duas e você escolhe qual que você prefere:
“O mundo é o reflexo da nossa mente, o que o cérebro faz é gerar a realidade na qual pensamos que vivemos. Quando você olha para mim, você pensa que sou real, que estou de pé na sua frente, mas, na verdade, é algo de dentro do seu cérebro” – Rafael Yuste, neurocientista espanhol.
“Temos os cinco sentidos que nos permitem captar informações do ambiente em que existimos. A partir da captação de imagem, som, tato, sabor e odor, construímos uma narrativa do que é a nossa realidade” – Marcelo Gleiser, físico brasileiro.
Fonte: Mente, tempo e realidade: os olhares da neurociência e física
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Só que existe também uma coisa chamada realidade social que é maior do que a nossa realidade pessoal. Por isso existe uma outra coisa chamada análise sociológica que tem por objetivo analisar os fenômenos que compõe a realidade social.
Na Sociologia existem três autores clássicos. O mais famoso, e odiado, é o Karl Marx. Mas existem outros como o Émile Durkheim, considerado o fundador da Sociologia enquanto Método e é dele o conceito de Fato Social; além do Max Weber que propôs uma análise muito interessante sobre A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo.
Para compreender a proposta de cada um é preciso contextualizar historicamente suas obras, que são dos séculos XIX e início do XX numa sociedade de transição do Feudalismo para o Capitalismo, ou da Idade Média para a Modernidade. Por isso que se você for ler alguma coisa deles encontrará o termo “capitalismo moderno”, é o capitalismo da sociedade deles. Hoje, o capitalismo sob o qual a sociedade opera é o capitalismo financeirizado.
Até aqui, estou tentando mostrar que a realidade social é tão complexa quanto a nossa realidade pessoal (e ainda mais).
Como tudo o que é muito complexo precisa ser reduzido, ou modelado, para ser compreendido em sua complexidade, surgem assim as Teorias acerca da realidade social. Ou seja, o cientista social olha para a sociedade e vê quais são os fenômenos da época em que vive, a partir daí propõe uma teoria com a qual a realidade social pode ser descrita e compreendida.
Cada teoria pode ser entendida como uma “lente colorida”. Por exemplo, se assisto um filme em 3D, preciso colocar os óculos de efeito 3D, senão nada acontece!
As teorias das Ciências Sociais são como essas lentes. Cada uma delas possibilita entender a realidade social a partir de uma perspectiva própria. Por isso existem várias teorias e vários autores. Por vezes, essas teorias se complementam, mas também podem se contradizer.
Voltando ao tema do debate, a questão da sexualidade não é “só uma teoria”. É um fato, ou um fenômeno, que existe na sociedade e deve ser compreendido em sua complexidade!
Naturalmente o sexo biológico existe! Se o bebê nasce com vagina é menina, se nasce com pênis é menino. Ok. No entanto, as pessoas crescem e se tornam algo além das suas funcionalidades biológicas. São as subjetividades das pessoas que as tornam humanas e nem todas se identificam com o sexo de nascimento. Daí surgem as Teorias de Gênero.
As teorias são novas, os fenômenos não! Pessoas que não se identificam com o sexo de nascimento sempre existiram na história da humanidade.
Para não alongar muito o texto, deixo duas referências de leitura para você ver o que é a divisão de gênero e como isso nos afeta enquanto pessoas, para além da nossa identidade de gênero.
- A desconstrução dos estereótipos de gênero através do brinquedo e do brincar na Educação Infantil
- Divisão sexual dos brinquedos infantis: uma reprodução da ideologia patriarcal
Espero que agora as coisas tenham ficado mais claras! Caso tenha encontrado algum erro 😅 me deixe saber!!
E me ajude a divulgar o blog!! 🥰








